Tem dias como hoje que passo horas lendo poemas e
poesias em buscas pela internet. É como se comporta um homem como eu, fechado e
anti-social. É um vício louco, bem eu sei, mas o mundo lá fora não me interessa
mais. Se preferirem fiquem à vontade para fazer quaisquer tipos de julgamentos
a respeito disso que vos escrevo. Isso também não me interessa mais.
Eu andava preocupado comigo mesmo, pois não via em
mim nenhum vício, pois nunca fumei, bebo algumas vezes um vinho tinto seco
quando a temperatura ambiente está fria ou temperada e também não uso drogas.
Quase não vejo televisão e sou heterossexual praticante, ou seja, um cara
deslocado e como disse anti-social. Uma pessoa assim não tem muito espaço no
mundo atual. É como me sinto um E.T. Parece que não sou desse planeta. Não é
simplesmente uma questão de ser diferente ou melhor do que alguém, mas uma
questão de ser incompatível com a sociedade, uma questão de inadaptabilidade ao
mundo.
Eu não consigo ter uma visão otimista do mundo e já
li todos os livros de auto ajuda e sempre chego a mesma conclusão, mercantilismo,
mentiras e hipocrisias ou, auto engano.
Amigos leitores, também não é uma questão de mudar
o mundo, isso não existe, o mundo é o
que é, ou melhor, é o que fizemos dele. A única coisa que pode ser mudada é a
nossa mente com relação o mundo que percebemos, que é exatamente o diz o UCEM
(Um Curso Em Milagres).
Mas um poeta é um insatisfeito, uma pessoa
incomodada com a realidade e por isso cria palavras e as une sem nenhum sentido
para as pessoas que não sejam poéticas. Um ser racional, lógico dificilmente
poderá gostar de um poema ou de um poeta. Um poeta é um chato. No entanto, é
sempre bom lembrar da poetisa Cora Coralina que nos diz muito apropriadamente: “
Poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia
sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso”
A leitura de poemas tem uma ação terapêutica em mim
na medida em que acalma minha alma, me deixa mas relaxado. É evidente que nem
tudo que dizem ser um poema tem essa ação, mas ler poemas é como garimpar ouro,
no meio de toneladas de pedras e barro você sempre acha uma pepita. E de tanto
ler poemas acabei escrevendo umas palavras que tenho ousado chamar de poesia.
Escrever acabou sendo nesse caso uma conseqüência das leituras.
É preciso algum romantismo consciente e muita
sensibilidade para gostar de poesias. Como não se sensibilizar, por exemplo,
com esse trecho de Walt Whitman em “Canção de Mim Mesmo”:
“Fica esta
noite e este dia comigo e será tua a origem de todos os poemas. Será teu o bem
da terra e do sol (há milhões de sóis para encontrar). Não possuíras coisa
alguma de segunda ou de terceira mão, nem enxergarás através dos olhos de quem
já morreu, nem te alimentarás outra vez dos fantasmas que há nos livros”.
“...fantasmas
que há nos livros”.
É o que vejo e sinto quanto lia os romances, ficções e não-ficções. Mas já não
percebo esses “fantasmas” num bom poema. Quem sabe um poema seja um exorcismo? E
os fantasmas fugiram, não estão mais lá. Quem sabe? Então poetizar seria exorcizar fantasmas.
Uma pessoa racional e lógica sempre interpretará um
poema dentro da sua racionalidade e lógica, e um poema não é para ser
interpretado. Poesia é sentimento. Sentimento é sentir. Não há coerência na
poesia.
Há bem pouco tempo atrás eu ainda me aborrecia
quando alguém fazia um comentário sobre meus poemas dentro dessa lógica e racionalidade.
Assim como também ficava irritado quando o leitoro(a) não tendo nenhum
conhecimento da linguagem poética, confundia o “eu pessoal” com o “eu poético”
de daí tirava conclusões sobre minha personalidade. Alguns leitores sequer
sabem o que é uma metáfora e sem esses conhecimentos básicos, não se pode
apreciar um poema.
Ler um poema não é como ler um romance, um livro de
ficção, uma narrativa, descritiva, um relatório, etc. Poesia é síntese. Como diz
Mario Quintana, nós não lemos um poema é ele quem nos lê.
Um dos maiores poetas escreveu:
“E foi naquela Época...
A poesia chegou me procurando.
Eu não sei, não sei de onde ela veio,
se de um invernou ou de um rio.
Eu não sei como nem quando.
Não, não eram vozes, não eram palavras, nem
silêncio;
mas de uma rua eu fui chamado abruptamente (...) e
ela me tocou” - (Pablo Neruda)
Eu acho que a poesia chegou me procurando também Pablo,
chegou abruptamente e me tocou. Provavelmente eu nunca serei um poeta famoso
como Pablo Neruda, como Fernando Pessoa, como Mario Quintana, dentre outros,
mas a poesia toca as pessoas que não se adaptaram ao mundo e eles acabam,
através de seus poemas vivendo um mundo particular de palavras.
Existem poemas que não tem poesia. A maioria, eu
diria. Mas não importa, nem toda árvore bonita tem flor. Platão disse que “ao
contato com o amor, todos se tornam poetas”. Então, todos podem potencialmente
ser poetas.
Uma boa poesia exige humildade e deve causar
estranheza, porque não é comum e banal. Aquilo que é banal e comum não causa
estranheza. Carlos Drummod de Andrade
disse que tentou resolver através dos versos problemas existenciais internos.
Problemas de angústia, incompreensão e inadaptação ao mundo.
Eu não me considero um poeta, talvez um aprendiz de
poeta, no entanto, tenho esses mesmos problemas citados por Drummond, por isso
leio e escrevo poemas. E é por isso que tem dias que passo o tempo quase todo
lendo poesia, dias de profunda solidão, dias de E.T., dias de forasteiro, dias
que tento fugir da Matrix.
(©Paulo Cesar de Oliveira – 18-04-2013)
