Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Poemas. Mostrar todas as postagens

domingo, 9 de outubro de 2016


"Caí em meu patético período de desligamento. Muitas vezes, diante de seres humanos bons e maus igualmente, meus sentidos simplesmente se desligam, se cansam, eu desisto. Sou educado. Balanço a cabeça. Finjo entender, porque não quero magoar ninguém. Este é o único ponto fraco que tem me levado à maioria das encrencas. Tentando ser bom com os outros, muitas vezes tenho a alma reduzida a uma espécie de pasta espiritual. Deixa pra lá. Meu cérebro se tranca. Eu escuto. Eu respondo. E eles são broncos demais para perceber que não estou mais ali."
Charles Bukowski

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016


O EU POÉTICO E O AUTOR: DIFERENÇAS QUE OS DEMARCAM

LITERATURA

Precisamos estabelecer as diferenças que demarcam o eu poético e o autor, haja vista que o primeiro foi criado para expressar as ideias do segundo.
Assim, analisemos as palavras de um renomado crítico, Yves Stalloni, fazendo referência à concepção do eu lírico:
[...] O lirismo é a emanação de um eu – que o romantismo gostava de confundir com a pessoa do poeta, mas que pode se apagar por detrás de uma de suas personagens. 
STALLONI, Yves. Os gêneros literários. Rio de Janeiro: Difel, 2001, p. 151.
Por meio delas, dá-se a entender que não podemos confundir tais elementos, haja vista que autor é quem cria, notadamente, e o eu poético representa um ser criado para expressar as emoções intuídas pela autoria do poema.
Vejamos agora uma das criações de Carlos Drummond de Andrade, na qual se evidenciam traços de afinidade entre autor e eu poético, embora distintos pelas suas características:
Confidência do itabirano
Alguns anos vivi em Itabira.
Principalmente nasci em Itabira.
Por isso sou triste, orgulhoso: de ferro.
Noventa por cento de ferro nas calçadas.
Oitenta por cento de ferro nas almas.
E esse alheamento do que na vida é porosidade e comunicação.
A vontade de amar, que me paralisa o trabalho,
vem de Itabira, de suas noites brancas, sem mulheres e sem horizontes.
E o hábito de sofrer, que tanto me diverte,
é doce herança itabirana.
De Itabira trouxe prendas diversas que ora te ofereço:
esta pedra de ferro, futuro aço do Brasil,
este São Benedito do velho santeiro Alfredo Duval;
este couro de anta, estendido no sofá da sala de visitas;
este orgulho, esta cabeça baixa...
Tive ouro, tive gado, tive fazendas.
Hoje sou funcionário público.
Itabira é apenas uma fotografia na parede.
Mas como dói!
Como é sabido por todos nós, o autor nasceu realmente em Itabira, no entanto, a voz que expressa dentro do poema necessariamente assume outro perfil, outra identidade – eis o fato de estabelecermos tal distinção.

Vânia Duarte
Graduada em Letras

“...o objetivo da poesia (e da arte literária em geral) não é o real concreto, o verdadeiro, aquilo que de fato aconteceu, mas sim o verossímil, o verdadeiro que pode acontecer, considerado  na sua universalidade.”

SILVA, Vitor M. de A. Teoria da literarura. Coimbra:
Almedina, 1982.

Verossímil. 1 Semelhante à verdade; que parece verdadeiro.  2. Que não repugna à verdade, provável.

A ARTE LITERÁRIA

LITERATURA

A arte literária é concebida com a arte da palavra, materializada pela expressão do pensamento do artista seguindo as vivências relativas a cada época, a cada momento.

O que é arte?

 “ Arte é uma maneira de dizer para os outros como você vê as coisas, os fatos, o mundo..., ou até eles mesmos”.
 “Arte é expressão”.

O que é literatura?

“Arte literária é mimese (imitação); é a arte que imita
   pela palavra.”
 (Aristóteles,séc.IV a.C.) 

      “A Literatura, como toda arte, é uma transfiguração do real, é a realidade recriada através do espírito do artista e retransmitida através da língua para as formas, que são os gêneros,e com os quais ela toma corpo e realidade”.

(Afrânio Coutinho, 1978)

“ A Literatura é a linguagem carregada de significado”.

(Ezra Pound)

Teoria Literária - Gêneros Literários

Definição: Conjuntos de elementos semânticos, estilísticos e
formais utilizados pelos autores em suas obras, para
caracterizá-las de acordo com a sua visão da realidade e o público a
que se destinam.

Divisões:

Lírico: sentimental, poético

Épico: revela fatos históricos, heróicos e mitológicos, verso.

Narrativo: envolve personagens e seus atos, prosa

Dramático: teatral, verso ou prosa

Gênero Lírico: é a manifestação literária em que predominam os aspectos
subjetivos do autor. É, em geral, a maneira de o autor falar consigo mesmo ou
com um interlocutor particular (amigo, amante, fantasia, elemento da natureza,
Deus...). É escrito em 1ª pessoa do singular.

Texto:

Súplica cearense
“Oh! Deus, perdoe esse pobre coitado
que de joelho rezou um bocado
pedindo pra chuva sem para.

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
e só por isso o sol se arretirou
fazendo cair toda chuva que há. [...]”
- Gordurinha e Nelinho

Gênero Épico: apresenta-se estruturalmente em forma de verso e,
apresenta uma sequência narrativa de fatos ocorridos no passado,
com predomínio em 3 ª pessoa. O narrador fala do passado.


Os Lusíadas
Canto 2 Estrofe 25

Em vendo o mensageiro, com jucundo
Rosto, como quem sabe à língua hispana,
Lhe disse: - Quem lhe te trouxe a estouro mundo,
Tão longe da pátria lusitana?
Abrindo, lhe responde, o mar profundo
Por onde nunca veio gente humana;
Vimos buscar do Indo a grão corrente,
Por onde a lei divina se acrescente.

Gênero Narrativo: se origina do épico, no qual se enquadram as
 narrativas em prosa, são elas o conto, a crônica, a novela e o
 romance.
Narrativas curtas:
Conto
Crônica
Novela

Narrativas Longas:
Romances

Gênero Dramático: pode ocorrer em verso ou em prosa, tendo a
 intenção clara de ser encenado, ou mesmo, representado em atos
 dramaturgia dando vida aos personagens.

Pode ser:
Tragédia;
Comédia;
Drama;
Auto.


Teoria Literária - Recursos Literários:

Versificação: é o estudo de recursos musicais utilizados na construção de textos poéticos.

          De acordo com o número de verso as estrofes podem ser:
Monóstico;
Dístico;
Terceto;
Quadra ou quarteto;
Quintilha;
Sexteto ou sextilha;
Sétima ou septilha;
Oitava;
Nona;
Décima.


História da Literatura - Escolas Literárias: 

Painel Cronológico

BRASIL

Era Colonial
Escritos de Formação* (séc. XVI)
Escritos de Informação* (séc. XVI)
Barroco (séc. XVII)
Neoclassicismo-Arcadismo (séc. XVIII)
Era Nacional
Romantismo (séc. XIX - 1ª metade)
Realismo/Naturalismo/Parnasianismo/
Simbolismo (séc. XIX - 2ª metade)
Pré-Modernismo* (início do séc. XX)
Modernismo (séc. XX)
- 1ª Geração (1922 - 1930)
- 2ª Geração (1930 - 1945)
- 3ª Geração (1945 - ?)

Um tipo de poesia que gosto de fazer:

Poesia Sátirica
Cantiga de Escárnio
Presença de crítica indireta, na qual, a pessoa satirizada não é identificada;
Linguagem trabalhada;

Ocorre presença de ironia.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016


“[...] a poesia é o que nos aproxima de nossa morte, pois finca raízes em nossa carne, pondo-nos também em questão. Quando isso acontece, o mundo deixa de ser a realidade estável do senso comum para se mostrar como paisagem de instabilidade. Pois a realidade não é estável, e sua mobilidade é o mistério que nos toma sempre inesperadamente, restando-nos o abismo (1).

Referência:
(1) PESSANHA, Fábio Santana. A hermenêutica do mar – Um estudo sobre a poética de Virgílio de Lemos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2013, p. 60.

"A poesia nunca foi privilégio exclusivo do poema. Ela sempre esteve e estará nos lugares mais diversos. A própria ciência, enquanto linguagem e não simplesmente na sua ostensiva dimensão semântica, guarda a poesia. O cientista tem que ser poeta, isto é, fundador, para ser cientista". (1)

Referência:
(1) PORTELLA, Eduardo. “Limites ilimitados da teoria literária”. In: PORTELLA, Eduardo (org.). Teoria Literária. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1976, p. 17.

"As palavras '...poeticamente o homem habita...' dizem muito mais. Dizem que é a poesia que permite ao habitar ser um habitar. Poesia é deixar-habitar, em sentido próprio. Mas como encontramos habitação? Mediante um construir. Entendida como deixar-habitar, poesia é um construir"(1).

Referência:
(1) HEIDEGGER, Martin. Ensaios e conferências. Trad. Emmanuel Carneiro Leão, Gilvan Fogel e Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: Vozes, 2001, p. 167.

O eu-lírico é um conceito abstrato-formal inexistente, a que nenhuma realidade corresponde. Quando num poema fala um eu, se o poema é verdadeiro, este será sempre fala da poesia. Jamais será fala do poeta ou um formal e abstrato eu-lírico. É o eu-concreto da poesia manifestando-se no poeta e nos leitores que verdadeiramente têm o poema da poesia. O poeta ou o leitor fala, mas quem diz é a poesia. Um poema é verdadeiro quando é esse dizer concreto da poesia.

Manuel Antônio de Castro

domingo, 22 de novembro de 2015


MEU VÍCIO

Acredito que poemas sejam como uma droga potente
você começa fazendo um e não consegue mais parar
e começa a andar em boas companhias: Fernando Pessoa,
Mario Quintana, Cecília Meireles, Florbela...
você começa a ver a vida mais bela
mesmo não sendo
é como o vinho
ou seja,
o transe de um gole vicia e leva a outro
como linhas
ou a mulher que foi embora
e continua com você
a poesia é um bálsamo que nos conforta e acalma
é um carinho para uma alma necessitada
mas, poucos precisam de um poema
a poesia é uma companhia
é para ler sozinho
na verdade não é você que o lê
é ele que te lê
tem dias que eu penso
não vou mais escrever essas palavras
e chamar de “poemas”
não vale a pena
mas é um vício


/pco

quarta-feira, 1 de julho de 2015


PROCURE AMORTECER O TEU AMOR

Mais uma vez te exorto a ponderares
as virtudes da temperança
e da tranquilidade.
Mais uma vez te peço que dirijas o corpo
para ações justas, que conforte a tua alma
aos deuses supracelestes.
Se me repito, se te procuro,
se insisto e me vejo em ti,
é porque sei que Deus que tudo gira
nos gira aos dois uníssono,
Se te dou uma mão Ele
dá-me a Sua a mim,
E dá-te a outra a ti.
Procura amortecer o teu amor.
amortece-o e aplana-o,
o amor por pessoas,
o amor pelas belas imagens na tua casa
amortece o amor pela filosofia,
o amor pela música,
até pela poesia
o amor pelos deuses do Amor e pelos outros.
ama antes o amortecer,
mas mesmo esse, de forma mansa e ténue.
Deixa-o amor secar e recolhe-o no verão seguinte.
esguia-o até que caiba,
como uma folha de papel,
Entre o bico fechado de uma ave.
Mais uma vez te exorto a ponderares

As virtudes da temperança e da resignação.

terça-feira, 28 de abril de 2015


Mas estou cansada, apesar de minha alegria de hoje, alegria que não se sabe de onde vem, como a da manhãzinha de verão. Estou cansada, agora agudamente!
Vamos chorar juntos, baixinho. Por ter sofrido e continuar tão docemente. A dor cansada numa lágrima simplificada. Mas agora já é desejo de poesia, isso eu confesso, Deus. Durmamos de mãos dadas. O mundo rola e em alguma parte há coisas que não conheço. Durmamos sobre Deus e o mistério, nave quieta e frágil flutuando sobre o mar, eis o sono.


In: Coração Selvagem.
Clarice Lispector

terça-feira, 24 de março de 2015


Muitas pessoas acham que para ser um poema tem que ter rima. Vide esse poema de um dos maiores poetas brasileiros, Manuel Bandeira:

Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira

sábado, 1 de novembro de 2014

NO FUNDO EU SOU UM SENTIMENTAL


SABE, NO FUNDO EU SOU UM SENTIMENTAL, MESMO O PT COLOCANDO FOGO NESSE PAÍS COM SUAS MENTIRAS, SEU COMUNISMO E SUA CORRUPÇÃO.

DIVIDINDO ESSA NAÇÃO.

MESMO TENDO QUE ATURAR ESSE POVO IGNORANTE QUE PREFERE ESMOLAS A UM EMPREGO.

MESMO OUVINDO ESSA POLITICAGEM SUJA E HIPÓCRITA.

A OMISSÃO E A COVARDIA.

MESMO QUANDO MINHAS MÃOS DESEJAM ESGANAR E TRUCIDAR ESSA GENTE.

MEU CORAÇÃO FECHA OS OLHOS E SINCERAMENTE, UM POEMA ME ACALMA A ALMA. 

(pco).

nalgum lugar em que eu nunca estive, alegremente além
de qualquer experiência, teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto

teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos, nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a primavera abre
(tocando sutilmente, misteriosamente) a sua primeira rosa

ou se quiseres me ver fechado, eu e
minha vida nos fecharemos belamente, de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;

nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade: cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira

(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre; só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas

( E. E. Cummings, tradução: Augusto de Campos )

quarta-feira, 22 de outubro de 2014


Soneto de aniversário

Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.
Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.
Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.
E eu te direi: amiga minha, esquece….
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014


Nunca ninguém sabe
Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar
Pois o meu verso tem essa quase imperceptível tremor...
A vida é louca, o mundo é triste:
vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer de puro amor!
Mario Quintana

terça-feira, 30 de setembro de 2014



"A função do poeta não é explicar-se. A função do poeta é expressar-se. " 
- Mário Quintana: 

"Minha poesia não tem sexo, mas não abro mão das preliminares" - Cris de Souza

terça-feira, 16 de setembro de 2014


Só quem embala no peito
Dores amargas e secretas
É que em noites de luar
Pode entender os poetas Florbela Espanca

O CARTEIRO E O POETA




Até que ponto a poesia transforma a realidade de nossas vidas e do mundo?

Inseridos num mundo cada vez mais técnico, burocrático, fast-food, a poesia é tratada como algo muito distante da realidade, coisa de lunáticos, de pessoas que buscam o escapismo por meio de traços com letras carregados de significados.

Mas a verdade é que a poesia exerce um poder transformador nas pessoas. É válido lembrar que poesia, ao contrário do que se cristalizou no imaginário coletivo, não trata apenas sobre o Amor, o belo, o sublime. Esta é uma visão reducionista.

A poesia, contextualizada num universo maior, o da Literatura, das Artes e da vida, não é um elemento fora da realidade, ao contrário, reflete-a, analisa-a, condensa-a, questiona-a.

E ninguém é a mesma pessoa, não compreende o mundo da mesma forma após se deparar com grandes obras. 

A arte, em síntese, não é perfumaria, mas também instrumento de compreensão social, em sentido amplo.
 
O filme “O Carteiro e o Poeta”, traz um recorte na vida do poeta Pablo Neruda, vencedor do Nobel de Literatura de 1971 que, após ter que fugir do Chile diante do golpe e a ditadura imposta pelo General Pinochet, vê-se obrigado a exilar-se numa pequena ilha na Itália.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014


O MENINO QUE CARREGAVA ÁGUA NA PENEIRA

Tenho um livro sobre águas e meninos.
Gostei mais de um menino que carregava água na peneira.
A mãe disse que carregar água na peneira era o mesmo que roubar um vento
e sair correndo com ele para mostrar aos irmãos.
A mãe disse que era o mesmo que catar espinhos na água
O mesmo que criar peixes no bolso.

O menino era ligado em despropósitos.
Quis montar os alicerces de uma casa sobre orvalhos.

A mãe reparou que o menino gostava mais do vazio do que do cheio.
Falava que os vazios são maiores e até infinitos.
Com o tempo aquele menino que era cismado e esquisito
porque gostava de carregar água na peneira
Com o tempo descobriu que escrever seria o mesmo
que carregar água na peneira.
No escrever o menino viu que era capaz de ser
noviça, monge ou mendigo ao mesmo tempo.
O menino aprendeu a usar as palavras.
Viu que podia fazer peraltagens com as palavras.
E começou a fazer peraltagens.

Foi capaz de interromper o vôo de um pássaro botando ponto final na frase.
Foi capaz de modificar a tarde botando uma chuva nela.
O menino fazia prodígios.
Até fez uma pedra dar flor!

A mãe reparava o menino com ternura.
A mãe falou: Meu filho você vai ser poeta.
Você vai carregar água na peneira a vida toda.
Você vai encher os vazios com as suas peraltagens
e algumas pessoas vão te amar por seus despropósitos

Manoel de Barros

domingo, 14 de setembro de 2014


Já me dei ao poder que a meu destino rege.
Não me agarro já de nada, para assim não ter nada que defender.
No tenho pensamentos, para assim poder ver.
Não temo já a nada, para assim poder lembrar-me de mim.

Sereno e desprendido,
me deixará a Águia passar à liberdade.

O Dom da Águia, C.C, p. 102

sábado, 30 de agosto de 2014