terça-feira, 30 de abril de 2013


A poesia fugiu do mundo.

O amor fugiu do mundo 


Restam somente os homens,


Pequeninos, apressados, egoístas e

inúteis.

Resta a vida que é preciso viver.


Resta a volúpia que é preciso matar.


Resta a necessidade de poesia, que é 

preciso contentar.

(Augusto Frederico Schimitd)

segunda-feira, 29 de abril de 2013


DIÁLOGO COM O TEMPO

Afinal, o que fiz para estar preso nesse corpo físico?
Qual foi esse crime tão grave que me aprisionou aqui
Condenado a viver na ilusão onde tudo parece ser
e nada realmente é
Perguntei então ao tempo qual seria a saída daqui
Ele apenas me olhou e disse: “Deixe-me passar”
Sim, pode passar, apenas me diga para onde está me levando
Ele novamente olhou para mim, mas dessa vez não disse nada
E uma lágrima escorreu dos seus olhos
Foi quando percebi que o tempo está tão perdido quanto eu
Não sabe da onde veio, onde está e para onde vai
Ele só tem pressa de passar

© Paulo Cesar de Oliveira
29-04-2013

domingo, 28 de abril de 2013


ABSOLUTAMENTE !

Engana-se quem acha que são as palavras que fazem um poema
Absolutamente!
O que faz um poema são os pensamentos
Engana-se quem acha que é o talento que faz um poeta
Absolutamente!
O que faz um poeta é a solidão na multidão
Engana-se quem acha que pode compreender um poema
sem ser um poeta
Absolutamente!
Você terá de ser um poeta para entender um poema
Mesmo que seja um poeta que não escreva poemas
Há mais poesia nos olhos de quem ama
Do que no meu livro de poemas

© Paulo Cesar de Oliveira
28-04-2013

A INDECÊNCIA PODE SER SAUDÁVEL

A indecência pode ser normal, saudável;
na verdade, um pouco de indecência é necessário
em toda vida para a manter normal, saudável.

E um pouco de putaria pode ser normal, saudável.
Na verdade, um pouco de putaria é necessário em toda vida
para a manter normal, saudável.

Mesmo a sodomia pode ser normal, saudável,
desde que haja troca de sentimento verdadeiro.

Mas se alguma delas for para o cérebro, aí se torna perniciosa: 
a indecência no cérebro se torna obscena, viciosa, a putaria 
no cérebro se torna sifilítica
e a sodomia no cérebro se torna uma missão,
tudo, vício, missão, insanamente mórbido.

Do mesmo modo, a castidade na hora própria é normal e bonita. 
Mas a castidade no cérebro é vício, perversão.
E a rígida supressão de toda e qualquer indecência, putaria 
e relações assim leva directo à furiosa insanidade.
E a quinta geração de puritanos, se não for obscenamente 
depravada, é idiota. Por isso, você tem de escolher.

D. H. Lawrence
Tradução de José Paulo Paes
.

sábado, 27 de abril de 2013

CANÇÃO
 
O peso do mundo
       é o amor.
Sob o fardo
       da solidão,
sob o fardo
       da insatisfação



       o peso
o peso que carregamos
       é o amor.

Quem poderia negá-lo?
       em sonhos
nos toca
       o corpo,
em pensamentos
       constrói
um milagre,
       na imaginação
aflige-se
       até tornar-se
humano -

sai para fora do coração
       ardendo de pureza -
pois o fardo da vida
       é o amor,

mas nós carregamos o peso
       cansados
e assim temos que descansar
nos braços do amor
       finalmente
temos que descansar nos braços
       do amor

Nenhum descanso
       sem amor,
nenhum sono
       sem sonhos
de amor -
       esteja eu louco ou frio,
obcecado por anjos
       ou por máquinas,
o último desejo
       é o amor
-não pode ser amargo
       não pode ser negado
não pode ser contido
       quando negado:

o peso é demasiado

       - deve dar-se
sem nada de volta
       assim como o pensamento
é dado
       na solidão
em toda a excelência
       do seu excesso.

Os corpos quentes
       brilham juntos
na escuridão,
       a mão se move
para o centro
       da carne,
a pele treme
       na felicidade
e a alma sobe
       feliz até o olho -

sim, sim,
       é isso o que
eu queria,
       eu sempre quis,
eu sempre quis
       voltar
ao corpo
       em que nasci.
                            
                            San Jose, 1954
ALLEN GINSBERG


"E embora o que se passa na cama seja segredo de quem ama, nunca houve segredo mais repartido que esse em todos os tempos e culturas. E o bom poeta é aquele que ao revelar o seu segredo descobre que ele pertence a todos".

(Affonso Romano de SantAnna)









sexta-feira, 26 de abril de 2013

 

TRISTEZA INJUSTA

Às vezes desce em mim uma tristeza tão profunda quanto inexplicável
Não sei de onde ela vem e como me achou
Uma tristeza sem motivos, sem razão de ser
Não tem horas para acontecer, simplesmente acontece
Mas logo me apresso em vos dizer que não sou uma pessoa triste
Apenas passo por esses momentos repentinos de tristeza, onde me foge o controle e a clareza
Agora mesmo quando isso aconteceu de novo
Corri aqui para o teclado e vim contar para vocês
Não devia, mas eu fiz
Mas é só para dizer que é uma tristeza injusta
Que logo passará
Como tem passado os meus momentos de justa alegria
Eu gostaria de ser sempre uma pessoa alegre e feliz
Porque ninguém gosta de gente triste
Mas se eu fosse sempre alegre e feliz
Não seria poeta
Seria palhaço de circo ou animador de festinhas de crianças

(© Paulo Cesar de Oliveira – 26-04-2013)



quinta-feira, 25 de abril de 2013


PEQUENOS FRAGMENTOS DE ILUSÃO

Por Paulo Cesar de Oliveira

Tenho escrito poemas com tanto sentimentalismo meu amor. Mas você não consegue ler nas entrelinhas dos mesmos. E talvez por isso esses poemas se percam sem nunca se tornarem uma poesia.

Você anda tão preocupada em interpretar e me analisar pelos meus poemas que acaba perdendo a síntese que se esconde caprichosamente por detrás de cada palavra. É preciso olhos do coração e ouvidos da mente para captar o sentido sutil daquilo que não foi dito através daquilo que foi dito.

Algumas vidas não são vividas porque escolher implica em perder o que não escolhemos. A vida é feita de escolhas e acabamos nos conformando com a escolha errada, mas que no instante da decisão parecia o certo a fazer.

O que eu preciso lhe dizer meu amor dos outros é que  podemos passar uma vida inteira sem conhecer ninguém. Mas também podemos encontrar a pessoa certa na hora errada. Sim, isso é possível e às vezes acontece. Mas em hipótese alguma significa que o momento foi perdido.

Essas minhas coisas escritas é algo misterioso e surpreendente, principalmente para mim, no entanto, penso que melhor do que escrever poemas e poesias é fazer de tudo que acontece na tua vida uma poesia. É captar e viver plenitude dos acontecimentos bons e ruins, mas sempre com gratidão.

Talvez e provavelmente eu tenha fracassado em quase tudo, como já escrevi um dia. Pelo menos fracassei em duas coisas importantes na vida de qualquer pessoa. E é preciso não sentir culpa por isso. Viver sem culpas é um dos segredos de se viver uma vida plena. Mas gosto de lembrar que a vida é cheia de possibilidades e, como diz a letra da música do falecido cantor, “os dados ainda estão rolando”. Dados sim porque a vida também é um jogo. Um jogo que muitos pensam que termina com a morte, mas a morte ainda não é o “Game Over”.

Talvez a vida seja um jogo sem fim. Um jogo que não termina nunca e cujas regras vamos conhecendo na medida em que jogamos.

Eu escrevo porque quando escrevo não me sinto tão inútil num mundo em que tenho dificuldades de adaptação. Acredito que seja um vício e uma fuga, ou um grande ócio, mas que me proporciona algum prazer, assim como, fumar, beber e usar drogas, para algumas pessoas, também se constituem um vício e um prazer.

Não obtive êxito em me tornar um vencedor e bem sucedida pessoa segundo os critérios e avaliações societárias. Tenho consciência disso. Mas mesmo assim tenho feito de cada suposta derrota e frustração um motivo e uma razão para me manter em pé. Cair e não me levantar seria para mim a pior das mortes.

Apesar da dor da saudade, não propriamente de você, como pessoa física, mas do amor que envolveu a minha alma e que nunca mais pude esquecer, sou grato aos deuses do amor pela experiência. Parece que as marcas feitas na alma não se apagam jamais. É o que penso hoje.

Também penso que o amor quando real é algo que se mantém vivo por si só e mesmo sem reciprocidade não morre. Compreendi então os poetas quando falam do amor eterno.

E o amanhã? O que me espera o amanhã, o futuro? Um novo amor de verdade, pleno? Sem perdas e danos? Pouco provável, mas possível, afinal é um mundo de cheio de possibilidades. Mas o sentimento que tenho é que ainda passo por um tempo de travessia. E tenho dúvidas, se findado esse tempo, que não sei quanto dura (e pode durar o restante da minha vida), ainda terei os mesmos motivos e a mesma energia.

Quem sabe chegará para mim o mesmo tempo que o poeta Drummond anunciou :

“Chega um tempo em que não se diz mais: meu amor. Porque o amor resultou inútil. E os olhos não choram. E as mãos tecem apenas o rude trabalho. E o coração está seco”.

Tudo ainda me parece muito duvidoso e nebuloso apesar dos meus esforços nos últimos anos em tentar compreender o sentido, a razão e o objetivo de uma vida orgânica nesse planeta chamado Terra. As religiões, a ciência e a metafísica têm sido insuficientes para responder a meus questionamentos existenciais. Talvez eu não devesse ter esses tipos de questionamentos, no entanto, sinto ser isso uma necessidade básica da minha alma depois que ultrapassei os quarenta e poucos anos de idade.

Tenho buscado em vários caminhos, mas agora me sinto cansado como um viajante que percorreu vários quilômetros e ainda se sente como não  tendo conseguido ultrapassar o deserto. Gostaria que você pudesse estar comigo nessa viagem, mas todos me dizem que essa é uma viagem para um Eremita.

Descobrir que o mundo em que vivemos é uma ilusão, de certa forma foi uma grande descoberta e um grande despertar, mas isso tem tido um efeito colateral muito grande em mim. Talvez eu não quisesse descobrir isso e tão somente ficar na ilusão do teu amor. Mas a minha alma precisava dar prosseguimento ao seu aprendizado de várias encarnações e com isso empreendi essa viagem ao Grande Despertar.

Mas lhe peço com amor que não dê tanta importância ao fato de algumas vezes ter-lhe informado que o mundo em que você tanto investiu é um holograma. Essa é uma descoberta totalmente pessoal e só será compreendida individualmente “de per si” no momento escolhido pelo Divino Espírito Santo, a Quem cabe essa missão. Se menciono isso é apenas por uma questão de honestidade comigo mesmo, com meus mestres, com você e com amor que sinto por ti. Viva tua vida normalmente como se tudo fosse real. Só lhe peço que procure sempre manter no teu coração, a  gratidão e o perdão com tudo e com todos. Se fizeres isso, a ilusão não terá influência em ti.

Preciso terminar agora, pois essas palavras são apenas alguns pequenos fragmentos e não é o todo. Como mensagem final lhe digo que eu, como qualquer ser humano, tenho me enganado algumas vezes no conhecimento das coisas visíveis. No entanto, acredito que como já citou Heráclito, o invisível é mais forte que o visível. E com certeza essa é o motivo por que o amor ainda permanece em mim independente da tua presença física.

(© Paulo Cesar de Oliveira – abril 2013)

 “Todas as cartas de amor são ridículas” – Fernando Pessoa

O QUE É HAIKAI ?



haiku
Um haiku, haicu, haikai, ou haicai é uma forma poética de origem japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Não tem título e fala da natureza. Tem três linhas, com o seguinte esquema de sílabas poéticas: cinco, sete, e cinco novamente (5-7-5). Destaque para os haicus zen de Bashô. Conheça os belos poemas de Helena Kolody.
  • O que é poetrix?
É um poema com três versos curtos. Invenção nacional de Goulart Gomes, sem tantas regras, descomplicando um pouco as tantas normas do haiku. É considerado o modo brasileiro de fazer tercetos(poemas de 3 linhas). Deve ter no máximo 30 sílabas poéticas.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

FOGUEIRA DAS VAIDADES E PODER


Estou muito longe de ser um jurista, cientista político ou sociólogo, mas do alto da minha amargura e pessimismo com relação a esse país e, independente desse sentimento, acho que essa GUERRA ENTRE OS PODERES LEGISLATIVO E JUDICIÁRIO no Brasil que vem se arrastando desde o segundo mandato do Lula vai empurrar ainda mais esse país para o poço. Se não bastasse a inoperância e a incompetência de um PODER EXECUTIVO, ainda temos essa GUERRA. E o povo, os eleitores, os pagadores das contas, os tributados, assistem a isso com indiferença assustadora, não sei se indiferença pela covardia, pelo medo ou apenas pela ignorância, quiçá ambas as coisas. 

Não meus amigos, seus votos nas eleições não vão resolver essa situação. Foram esses votos que colocaram e mantém esses políticos onde estão e fazendo o que estão fazendo.

Estamos numa recessão econômica há muito tempo e o modelo econômico do PT / Lula baseado no consumo de massa se esgotou. Era natural que isso acontecesse pelas leis da Economia. Não temos um mínimo de planejamento econômico e estratégico e a Dilma faz apenas figuração e joga para a platéia. 

Essa GUERRA DE VAIDADES E PODER vai acabar de nos FUDER. Sim é um palavrão. Mas também é uma rima. 

E em meio a esse cenário nacional e irracional a Glaci me pede menos demandas e mais bio energética. Eu que hoje só sei escrever besteiras e chamar de poemas. Logo eu que que não consigo fazer mais do que 3 posições do Kama Sutra. 

(Paulo Cesar de Oliveira)

24.04.2013

Comissão da Câmara aprova projeto que submete decisões do STF ao CongressoOs deputados petistas José Genoino e João Paulo Cunha, condenados no julgamento do mensalão, integram a CCJ e estavam presentes. Procurador-geral da República vê proposta com 'perplexidade'
Ministros do Supremo reagem com indignação'Na nossa memória constitucional isso evoca coisas tenebrosas', diz Gilmar Mendes. 'Última palavra não cabe ao setor político, cabe ao Judiciário', afirma Marco Aurélio Mello

A BUSCA INTERIOR



"Saia à noite, sob um vasto céu estrelado, e levante os olhos para
esses milhões de mundos acima da sua cabeça. Em cada um deles provavelmente formigam bilhões de seres semelhantes a você, talvez de constituição superior. Olhe a Via Láctea. A Terra não pode sequer ser chamada de grão de areia nessa infinidade. Ela se dissolve, desaparece e, com ela, você também. Onde está você? Quem é você? Que quer você? Aonde quer ir? O que você empreende não será pura loucura? 


Diante de todos esses mundos, interrogue-se sobre suas metas e suas esperanças, suas intenções e seus meios de realizá-las, sobre o que pode ser exigido de você, e pergunte a si mesmo até que ponto está preparado para responder a essas perguntas. 

Espera-o uma viagem longa e difícil; você se dirige a um lugar estranho e desconhecido. O caminho é infinitamente longo. Você não sabe se poderá descansar nem onde isso será possível. Deve prever o pior. Leve consigo tudo que for necessário para a viagem. 
Trate de não se esquecer de nada, porque depois será muito tarde para reparar o erro: você não terá tempo de voltar para buscar o que tiver esquecido. Avalie suas forças. São suficientes para toda a viagem? Quando é que você poderá partir? 

Lembre-se de que quanto mais tempo passar a caminho, mais provisões precisará carregar, o que retardará proporcionalmente a sua marcha e alongará até a duração dos preparativos. E cada minuto é precioso. Uma vez que decidiu partir, por que perder tempo? 

Não conte com a possibilidade de voltar. Essa experiência poderia lhe custar muito caro. O guia só se comprometeu a conduzi-lo; não é obrigado a reconduzi-lo. Você será abandonado a si mesmo e ai de você se fraquejar ou perder o caminho; jamais poderá voltar. E, mesmo que o reencontre, fica a pergunta: você voltará são e salvo? 
Desventuras de toda espécie espreitam o viajante solitário que não conhece bem o caminho, nem as regras de conduta que ele impõe. Convença-se de que a sua vista tem a propriedade de lhe apresentar os objetos distantes como se estivessem próximos. Iludido quanto à proximidade da meta para a qual você se encaminha, cego por sua beleza e ignorando a medida de suas próprias forças, você não se dará conta dos obstáculos que estão no caminho; não verá as múltiplas valetas que atravessam a senda. 

Numa pradaria verde, juncada de flores deslumbrantes, o mato espesso oculta um profundo precipício. É muito fácil tropeçar e cair nele, se seus olhos não estão fixos em cada passo que está dando. 
Não se esqueça de concentrar toda a atenção no que o cerca de perto. Não se ocupe com metas distantes, se não quiser cair no precipício. 

Entretanto, não se esqueça da sua meta. Lembre-se dela sem cessar e mantenha vivo o seu ardor por atingi-la, para não perder a direção certa. E, tendo partido, esteja atento; o que você atravessou ficou para trás e não tornará a se apresentar: o que não observou num momento dado, não o observará nunca mais. 

Não seja curioso demais e não perca tempo com o que atrai a sua atenção, mas não vale a pena. O tempo é precioso e não deve ser desperdiçado com coisas sem relação direta com a sua meta. 
Lembre-se de onde está e por que está ali. 

Não se poupe e lembre-se de que jamais qualquer esforço é feito em vão. 

E agora pode iniciar a caminhada."


(Gurdjieff fala a seus alunos)

terça-feira, 23 de abril de 2013


DO QUE ME LEMBRO EM VOCÊ

Lembro-me de muita coisa de você
Mas o que mais me lembro é do teu olhar
Acho que é porque ele até hoje ainda atravessa a minha alma
Passei por tantas ruas e pessoas
E mesmo assim ainda me lembro do teu olhar
Não sei bem como descrevê-lo, mas ainda o sinto por perto
É porque quando eu olhava para você e via o teu olhar
É como se eu ficasse cego por uns momentos de outras coisas
Lembro-me também do calor do teu corpo
Ele tinha alguns graus a mais do que eu estava acostumado
Mas era um calor diferente que eu sentia ao teu lado
Não era um calor de fora para dentro, mas de dentro para fora
Não era pois um calor desconfortável
Lembro-me do teu jeito de andar
Mas isso é outra coisa que não sei descrever
Lembro-me do teu jeito de falar
Era baixo e doce como uma valsa de movimentos suaves
Lembro-me do teu jeito de fazer amor
E não o posso dizer
Nem mesmo em um poema

O resto parecia com a vida...

(© Paulo Cesar de Oliveira)
Todo nascimento termina em morte. 
Toda criação termina em dissolução, 
Todo acúmulo termina em dispersão, 
Tudo que parece real é transitório. 
Perceber tudo isso é atrair a própria sorte! 
Seja qual for a sua descendência, 
Seja qual for a sua classe social 
Use as circunstâncias da vida para atingir a Plenitude. 

Tradição budista

segunda-feira, 22 de abril de 2013


“É duro sonhar e ser o sonho, / falar e ser as 

palavras!” 

domingo, 21 de abril de 2013

Você não leu, mas seu horóscopo hoje dizia:


"Tome cuidado: o ideal seria que sexo e amor sempre viessem na mesma embalagem. Mas não. São produtos vendidos em lojas diferentes. Por isso, nunca vincule sexo e amor. Sexo é uma necessidade do corpo, um instinto animal, primitivo. Amor é um ideal da alma, um objetivo a ser alcançado todo dia, o dia todo, por toda a vida. Se você pensar que sexo e amor andam, obrigatoriamente, juntos, acabará querendo transar somente com quem ama e quando estiver amando, ou então, caindo de amores pela pessoa com quem transar. Tá certo que existem exceções, mas em geral, o primeiro caminho vai gerar desejos insatisfeitos, culpas e conflitos internos em sua cabecinha, e o segundo fará com que você escolha a pessoa errada como companheira, por motivos tão fúteis e frágeis, que terminarão como um orgasmo. Você passará, somando toda a sua vida, cerca de 120 dias transando (ininterruptamente!), mas os dias que passará amando são incomensuráveis, porque podem repercurtir além da sua existência."

Jefferson Luiz Maleski

ESTRANHO! MUITO ESTRANHO!

Escrevo poemas estranhos
Num mundo estranho
Para gente estrangeira
Estrangeira de mim
Escrevo poemas que me guiam
A lugar nenhum
E que falam de coisas estranhas
Poemas sujos, imundos
Que falam de coisas incompreensíveis
Quando você quer ouvir falar de amor
De esperanças, de alegrias e felicidades
Escrevo poemas que não devem ser lidos
Mas sim banidos
Da tua vida e do teu mundo estranho
Poemas estranhos, imundos e sujos
Poemas sem rima, sem auto estima
“Estranho seria se eu não me apaixonasse por você”
Quando de ti me apaixonei
Estranho!  Foi como você me deixou
Estranha é essa vida. Muito estranha
Estrangeiros: eu e você
Estranho é como eu levo essa minha vida
Não achando nada mais estranho
Na contra-mão desse mundo estranho

(© Paulo Cesar de Oliveira)



É domingo
Tento ler os jornais na net
Fico sabendo o que eu já sabia
Que Eike Batista não é tão rico quando pensam
E que a economia mundial vai de mal a pior
No mais é a violência, a hipocrisia e a mediocridade de sempre
Pergunto a mim mesmo: por que ainda leio os jornais?
É só para confirmar a ilusão
Ainda tenho a esperança que eu esteja errado
E que nem tudo seja ilusão
Mas a cada dia que tento desmenti-la
Eu a confirmo
Quem sabe a minha ilusão não seja também uma ilusão
Talvez esteja aí a solução

(©Paulo César de Oliveira – 21—4-2013)

sábado, 20 de abril de 2013

NEM TODA POESIA É ESCRITA



Creio que eu poderia transformar-me e viver como os animais. Eles são tão calmos e donos de si! Detenho-me para contemplá-los sem parar. Não se atarantam nem se queixam da própria sorte; não passam a noite em claro, remoendo suas culpas, nem me aborrecem falando de suas obrigações para com Deus. Nenhum deles se mostra insatisfeito; nenhum deles se acha dominado pela mania de possuir
coisas; nenhum deles fica de joelhos diante de outro, nem diante da recordação de outros da mesma espécie que viveram há milhares de anos. Nenhum deles é respeitável ou desgraçado em todo o amplo mundo.
Walt Whitman

quinta-feira, 18 de abril de 2013

ESCREVINHADOR SENSÍVEL ESCREVE PARA PESSOAS DOCES


Tem dias como hoje que passo horas lendo poemas e poesias em buscas pela internet. É como se comporta um homem como eu, fechado e anti-social. É um vício louco, bem eu sei, mas o mundo lá fora não me interessa mais. Se preferirem fiquem à vontade para fazer quaisquer tipos de julgamentos a respeito disso que vos escrevo. Isso também não me interessa mais.
Eu andava preocupado comigo mesmo, pois não via em mim nenhum vício, pois nunca fumei, bebo algumas vezes um vinho tinto seco quando a temperatura ambiente está fria ou temperada e também não uso drogas. Quase não vejo televisão e sou heterossexual praticante, ou seja, um cara deslocado e como disse anti-social. Uma pessoa assim não tem muito espaço no mundo atual. É como me sinto um E.T. Parece que não sou desse planeta. Não é simplesmente uma questão de ser diferente ou melhor do que alguém, mas uma questão de ser incompatível com a sociedade, uma questão de inadaptabilidade ao mundo.

Eu não consigo ter uma visão otimista do mundo e já li todos os livros de auto ajuda e sempre chego a mesma conclusão, mercantilismo, mentiras e hipocrisias ou, auto engano.

Amigos leitores, também não é uma questão de mudar o mundo, isso não existe, o mundo  é o que é, ou melhor, é o que fizemos dele. A única coisa que pode ser mudada é a nossa mente com relação o mundo que percebemos, que é exatamente o diz o UCEM (Um Curso Em Milagres).

Mas um poeta é um insatisfeito, uma pessoa incomodada com a realidade e por isso cria palavras e as une sem nenhum sentido para as pessoas que não sejam poéticas. Um ser racional, lógico dificilmente poderá gostar de um poema ou de um poeta. Um poeta é um chato. No entanto, é sempre bom lembrar da poetisa Cora Coralina que nos diz muito apropriadamente: “ Poeta, não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia sensível ao achado de uma rima à autenticidade de um verso”

A leitura de poemas tem uma ação terapêutica em mim na medida em que acalma minha alma, me deixa mas relaxado. É evidente que nem tudo que dizem ser um poema tem essa ação, mas ler poemas é como garimpar ouro, no meio de toneladas de pedras e barro você sempre acha uma pepita. E de tanto ler poemas acabei escrevendo umas palavras que tenho ousado chamar de poesia. Escrever acabou sendo nesse caso uma conseqüência das leituras.

É preciso algum romantismo consciente e muita sensibilidade para gostar de poesias. Como não se sensibilizar, por exemplo, com esse trecho de Walt Whitman em “Canção de Mim Mesmo”:

“Fica esta noite e este dia comigo e será tua a origem de todos os poemas. Será teu o bem da terra e do sol (há milhões de sóis para encontrar). Não possuíras coisa alguma de segunda ou de terceira mão, nem enxergarás através dos olhos de quem já morreu, nem te alimentarás outra vez dos fantasmas que há nos livros”.

“...fantasmas que há nos livros”. É o que vejo e sinto quanto lia os romances, ficções e não-ficções. Mas já não percebo esses “fantasmas” num bom poema. Quem sabe um poema seja um exorcismo? E os fantasmas fugiram, não estão mais lá. Quem sabe? Então poetizar seria  exorcizar fantasmas.

Uma pessoa racional e lógica sempre interpretará um poema dentro da sua racionalidade e lógica, e um poema não é para ser interpretado. Poesia é sentimento. Sentimento é sentir. Não há coerência na poesia.

Há bem pouco tempo atrás eu ainda me aborrecia quando alguém fazia um comentário sobre meus poemas dentro dessa lógica e racionalidade. Assim como também ficava irritado quando o leitoro(a) não tendo nenhum conhecimento da linguagem poética, confundia o “eu pessoal” com o “eu poético” de daí tirava conclusões sobre minha personalidade. Alguns leitores sequer sabem o que é uma metáfora e sem esses conhecimentos básicos, não se pode apreciar um poema.

Ler um poema não é como ler um romance, um livro de ficção, uma narrativa, descritiva, um relatório, etc. Poesia é síntese. Como diz Mario Quintana, nós não lemos um poema é ele quem nos lê.

Um dos maiores poetas escreveu:

“E foi naquela Época...
A poesia chegou me procurando.
Eu não sei, não sei de onde ela veio,
se de um invernou ou de um rio.
Eu não sei como nem quando.
Não, não eram vozes, não eram palavras, nem silêncio;
mas de uma rua eu fui chamado abruptamente (...) e ela me tocou” - (Pablo Neruda)

Eu acho que a poesia chegou me procurando também Pablo, chegou abruptamente e me tocou. Provavelmente eu nunca serei um poeta famoso como Pablo Neruda, como Fernando Pessoa, como Mario Quintana, dentre outros, mas a poesia toca as pessoas que não se adaptaram ao mundo e eles acabam, através de seus poemas vivendo um mundo particular de palavras.

Existem poemas que não tem poesia. A maioria, eu diria. Mas não importa, nem toda árvore bonita tem flor. Platão disse que “ao contato com o amor, todos se tornam poetas”. Então, todos podem potencialmente ser poetas.

Uma boa poesia exige humildade e deve causar estranheza, porque não é comum e banal. Aquilo que é banal e comum não causa estranheza.  Carlos Drummod de Andrade disse que tentou resolver através dos versos problemas existenciais internos. Problemas de angústia, incompreensão e inadaptação ao mundo.

Eu não me considero um poeta, talvez um aprendiz de poeta, no entanto, tenho esses mesmos problemas citados por Drummond, por isso leio e escrevo poemas. E é por isso que tem dias que passo o tempo quase todo lendo poesia, dias de profunda solidão, dias de E.T., dias de forasteiro, dias que tento fugir da Matrix.

(©Paulo Cesar de Oliveira – 18-04-2013)

quarta-feira, 17 de abril de 2013

CANÇÃO DE MIM MESMO



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Walt Whitman – Canção de Mim Mesmo (trecho, traduzido)

1.
Eu celebro o eu, num canto de mim mesmo,
E aquilo que eu presumir também presumirás,
Pois cada átomo que há em mim igualmente habita em ti.
Descanso e convido a minha alma,
Deito-me e descanso tranqüilamente, observando uma haste da relva de verão.
Minha língua, todo átomo do meu sangue formado deste solo, deste ar,
Nascido aqui de pais nascidos aqui de pais o mesmo e seus pais também o mesmo,
Eu agora com trinta e sete anos de idade, com saúde perfeita, dou início,
Com a esperança de não cessar até morrer.
Crenças e escolas quedam-se dormentes
Retraindo-se por hora na suficiência do que não, mas nunca esquecidas,
Eu me refugio pelo bem e pelo mal, eu permito que se fale em qualquer casualidade,
A natureza sem estorvo, com energia original.
2.
Casas e cômodos cheios de perfumes, prateleiras apinhadas de perfumes,
Eu mesmo respiro a fragrância, a reconheço e com ela me deleito,
A essência bem poderia inebriar-me, mas não permitirei.
A atmosfera não é um perfume, mas tem o gosto da essência, não tem odor,
Existe para a minha boca, eternamente; estou por ela apaixonado
Irei até a colina próxima da floresta, despir-me-ei de meu disfarce e ficarei nu,
Estou louco para que ela entre em contato comigo.
A fumaça da minha própria respiração,
Ecos, sussurros, murmúrios vagos, amor de raiz, fio de seda, forquilha e vinha,
Minha expiração e inspiração, a batida do meu coração, a passagem de sangue e de ar através de meus pulmões,
O odor das folhas verdes e de folhas ressecadas, da praia e das pedras escuras do mar, e de palha no celeiro,
O som das palavras expelidas de minha voz aos remoinhos do vento,
Alguns beijos leves, alguns abraços, o envolvimento de um abraço,
A dança da luz e a sombra nas árvores, à medida que se agitam os ramos flexíveis,
O deleite na solidão ou na correria das ruas, ou nos campos e colinas,
O sentimento de saúde, o gorjeio do meio-dia, a canção de mim mesmo erguendo-se da cama e encontrando o sol.
Achaste que mil acres são demais? Achaste a terra grande demais?
Praticaste tanto para aprender a ler?
Sentiste tanto orgulho por entenderes o sentido dos poemas?
Fica esta noite e este dia comigo e será tua a origem de todos os poemas,
Será teu o bem da terra e do sol (há milhões de sóis para encontrar),
Não possuíras coisa alguma de segunda ou de terceira mão, nem enxergarás através do olhos de quem já morreu, nem te alimentarás outra vez dos fantasmas que há nos livros.
Do mesmo modo não verás mais através de meus olhos, nem tampouco receberás coisa alguma de mim,
Ouvirás o que vem de todos os lados e saberás filtrar tudo por ti mesmo.
3.
Eu ouvi a conversa dos falantes, a conversa sobre o início e sobre o fim,
Mas não falo nem do início nem do fim.
Nunca houve mais iniciativa do que há agora,
Nem mais juventude ou idade do que há agora,
E jamais haverá mais perfeição do que há agora,
Nem mais paraíso ou inferno do que há agora,
O anseio, o anseio, o anseio,
Sempre o anseio procriador do mundo.
Na obscuridade a oposição equivale ao avanço, sempre substância e acréscimo, sempre o sexo,
Sempre um nó de identidade, sempre distinção, sempre uma geração de vida.
Não vale elaborar, eruditos e ignorantes sentem que é assim.
Certeza tal como a mais certa certeza, aprumados em nossa verticalidade, bem fixados, suportados em vigas,
Robustos como um cavalo, afetuosos, altivos, elétricos,
Eu e este mistério aqui estamos, de pé.
Clara e doce é minha alma e claro e doce é tudo aquilo que não é minha alma.
Faltando um falta o outro, e o invisível é provado pelo visível
Até que este se torne invisível e receba a prova por sua vez.
Apresentando o melhor e isolando do pior, a idade agasta a idade,
Conhecendo a adequação e a eqüanimidade das coisas, enquanto eles discutem eu mantenho-me em silêncio e vou me banhar e admirar a mim mesmo.
Bem-vindo é todo órgão e atributo de mim, e também os de todo homem cordial e limpo.
Nenhuma polegada ou qualquer partícula de uma polegada é vil e nenhum será menos familiar que o resto.
Estou satisfeito – vejo, danço, rio, canto;
Quando o companheiro amoroso dorme abraçado a mim a noite inteira e depois vai embora ao raiar do dia com passos silenciosos,
Deixando-me cestas cobertas com toalhas brancas enchendo a casa com sua exuberância,
Devo adiar minha aceitação e compreensão e gritar pelos meus olhos,
Para que deixem de fitar a estrada ao longe e para além dela
E imediatamente calculem e mostrem-me para um centavo,
O valor exato de um e o valor exato de dois, e o que está à frente?
4.
Traiçoeiros e curiosos estão à minha volta
Pessoas com quem me encontro, os efeitos que a minha infância tem sobre mim, ou o bairro e a cidade em que vivo, ou a nação,
As últimas datas, descobertas, invenções, sociedades, autores antigos e novos,
Meu jantar, roupas, amigos, olhares, cumprimentos, dívidas,
A indiferença real ou fantasiosa de um homem ou mulher que eu amo,
A doença de alguém de minha gente ou de mim mesmo, ou ato doentio, ou perda ou falta de dinheiro, depressões ou exaltações,
Batalhas, os horrores da guerra fratricida, a febre de notícias duvidosas, os terríveis eventos;
Essas imagens vêm a mim dia e noite, e partem de mim outra vez,
Mas não são o meu verdadeiro Ser.
Longe do que puxa e do que arrasta, ergue-se o que de fato eu sou,
Ergue-se divertido, complacente, compassivo, ocioso, unitário,
Olha para baixo, está ereto, ou descansa o braço sobre certo apoio impalpável,
Olhando com a cabeça pendida para o lado, curioso sobre o que está por vir,
Tanto dentro como fora do jogo, e o assistindo, e intrigado por ele.
No passado vejo meus próprios dias quando suei através do nevoeiro com lingüistas e contendores,
Não trago zombarias ou argumentos, apenas testemunho e aguardo.
(…)
(Walt Whitman – Canção de Mim Mesmo)