Contrariamente à maior parte dos sistemas de pensamento, Um Curso em Milagres não se desenvolve duma forma verdadeiramente linear na qual a sua estrutura teórica se constrói sobre ideias que se tornam cada vez mais complexas.
Pelo contrário, o desenvolvimento do Curso é bem mais circular, ao tratar os seus temas sinfonicamente: introdu-los, deixa-os de lado, volta a introduzi-los e desenvolve-os. Resultando por isso, numa matriz entrelaçada na qual cada parte é integral e essencial para o todo, embora contenha esse todo em si mesma.
Esta estrutura estabelece um processo de aprendizagem em vez de, simplesmente, expor um sistema teórico. O processo assemelha-se a subir uma escada em forma de espiral. O leitor é conduzido num padrão circular, em que cada volta o leva mais acima até alcançar o topo, o qual vai dar a Deus. Desse modo, o mesmo material repete-se consistentemente, não só no Curso como sistema de pensamento, mas também nas oportunidades de aprendizagem das nossas vidas pessoais. Cada volta, por assim dizer, acerca-nos mais à nossa meta espiritual. Os parágrafos finais do primeiro capítulo do Texto enfatizam particularmente este impacto cumulativo do processo de aprendizagem do Curso.
Através do estudo cuidadoso do Texto, conjuntamente com a prática que providencia o Livro de Exercícios, o estudante prepara-se gradualmente para as experiências mais profundas de Deus para o qual aponta Um Curso em Milagres. O domínio intelectual do seu sistema de pensamento não será suficiente para provocar a transformação perceptual e empírica que constitui a finalidade do Curso.
Um Curso em Milagres distingue dois mundos: Deus e o ego, conhecimento e percepção, verdade e ilusão. Estritamente falando, cada aspecto do mundo perceptual da post-separação reflecte o ego. No entanto, o Curso subdivide, ainda mais, o mundo da percepção entre mentalidade errada e mentalidade correta. Dentro desta estrutura o Curso quase sempre utiliza a palvra "ego" para fazer notar a mentalidade errada, enquanto que a mentalidade correta é o domínio do Espírito Santo, O Qual ensina o perdão como a correção do ego. Assim, podemos falar de três sistemas de pensamento: Mentalidade-Una, a qual pertence ao conhecimento, e mentalidade errada e mentalidade correta as quais refletem o mundo da percepção. A nossa discussão seguirá esta visão tripartida da mente.
Um Curso em Milagres está portanto escrito em dois níveis os quais refletem duas divisões básicas. O primeiro nível mostra a diferença entre a Mente-Una e a mente separada, enquanto que o segundo nível compara a mentalidade errada com a mentalidade correta, que são parte da mente separada. No primeiro nível, por exemplo, o mundo e o corpo são ilusões fabricadas pelo ego, e por conseguinte simbolizam a separação. O segundo nível relaciona-se com o mundo onde acreditamos estar. Aqui, o mundo e o corpo são neutros e podem servir a um de dois propósitos.
Para a mente errada do ego estes são instrumentos para reforçar a separação; para a mente reta do Espírito Santo são os mecanismos de ensino através dos quais aprendemos as Suas lições de perdão. Neste nível, as ilusões referem-se a falsas percepções do ego; por exemplo, ver ataque em vez de um pedido de amor, ver pecado em vez de erro.
Assim, o Curso concentra-se nos nossos pensamentos, não nas manifestações externas as quais são projecções destes pensamentos. Como diz o Curso: " Este é um curso acerca de causas, não de efeitos" (T-21.VII.7:8). Exorta-nos a que não tratemos de mudar o mundo (efeito), mas sim de mudar de mentalidade (causa) acerca do mundo (T-21.in.1:7). Quando a lição 193 afirma: "Perdoarei, e isto desaparecerá" (L-pI.193.13.3), o que quer dizer é que a nossa percepção do problema e de qualquer dor que proceda desta percepção desaparecerá, ainda que não necesáriamente a expressão física do problema. Por exemplo, se a chuva ameaça os planos que tínhamos feito e isso nos produz perturbação ou desengano, não devemos orar para pedir que faça sol, mas sim orar por ajuda para olhar para o tempo inclemente como uma oportunidade que escolhemos para aprender uma licção de perdão que o Espírito Santo pode ensinarnos. Isto não significa que neguemos que o ego pode fazer ou afectar o mundo físico. No entanto, como este mundo físico é inerentemente ilusório, resultado dos nossos pensamentos, a enfâse do Curso está na correcção destes pensamentos equivocados ou destorcidos, os quais são sempre a verdadeira fonte de qualquer problema. Esta correção permite então que o Amor do Espírito Santo dirija a nossa conducta no mundo.
Mentalidade Una
A Mentalidade-Una de Cristo é o mundo do Céu ou do conhecimento: o mundo da pré-separação de espírito, amor, verdade, eternidade, infinito e realidade, onde a unidade da criação de Deus- a soma de todos os Seus Pensamentos- permanece intacta. É o estado natural de comunicação direta com Deus e a sua criação, que existia antes que a mente do Filho de Deus tivesse pensado na separação. Neste estado mantém-se a perfeita união da Trindade.
A Trindade consiste em: 1) Deus, o Pai, 2) O Seu Filho, Cristo, o nosso verdadeiro Ser; 3) Espírito Santo, a Voz que fala por Deus.
Dentro da Segunda Pessoa da Trindade incluem-se as nossas criações, as extensões do nosso Ser o espírito. A Segunda Pessoa da Trindade não se identifica exclusivamente com Jesus, o qual é parte de Cristo, como todos nós.
Mentalidade errada
O ego consiste em três conceitos fundamentais: 1) o pecado - a crença de que nos separámos de Deus; 2) a Culpa -a experiência de ter pecado, de ter feito algo mal o qual emana da nossa crença de termos atacadoDeus e usurpado o Seu papel como Primeira Causa, tendo-nos convertido na nossa própria causa; 3) o medo - a emoção que inevitavelmente deriva da culpa, e que procede da nossa crença no pecado e se fundamenta no nosso pensamento de que merecemos ser castigados pelo deus da vingança fabricado pelo ego.
Para assegurar a sua sobrevivência, o ego contínuamente atrai a culpa a si mesmo, posto que a culpa comprova a realidade do pecado e foi este que deu origem ao ego. Uma vez establecido que a culpa é real, o ego ensina-nos que jamais devemos acercar-nos dela ou sequer olhá-la, porque, se o fizermos seremos destruídos por um deus irado e vingativo - um deus que o ego fabricou, de facto, para satisfazer o seu propósito - disposto a castigar-nos por termos pecado contra si, senão, seremos aniquilados no esquecimento do nosso próprio nada. Este medo mantém intactos a culpa e o pecado, pois a menos que os vejamos como decisões da nossa própria mente, jamais poderemos mudar a nossa crença neles.
Abandonados com a ansiedade e o terror causados pelo medo de Deus, o nosso único recurso é acudir ao ego em busca de ajuda, dado que Deus se converteu em nosso inimigo. O plano que o ego utiliza para salvar-nos da culpa tem duas partes: a primeira é a negação, mediante a qual apartamos a culpa da nossa consciência, com a esperança de que ao não ver o problema este desaparecerá. A segunda parte exorta-nos a que depois de negar a culpa, a projectemos sobre outra pessoa, com a esperança de que, por a colocarmos fora de nós, nos libertarmos dela, mágicamente.
A projecção tem duas formas principais: 1) as relações de ódio especial e 2) as relações de amor especial. Nas relações de ódio especial ou ódio a si mesmo a culpa transfere-se para os outros tornado-os responsaveis pela miséria que sentimos. A nossa ira ou ataque procura justificar a projeção, ao reforçar a culpa dos outros pelos nossos pecados que projectámos sobre eles. As relações de amor especial têm a mesma finalidade de projetar a culpa, ainda que a forma defira grandemente. A nossa culpa ensina-nos que estmos vazios, insatisfeitos, incompletos e necessitados, todos eles aspectos do principio da escassez. Ao acreditarmos que esta carência jamais poderá corrigir-se, procuramos fora de nós aquelas pessoas que possam completar-nos. O amor especial, pois, assume esta forma: tenho certas necessidades que Deus não pode satisfazer, mas tu, uma pessoa especial com atributos especiais, podes satisfaze-las para mim. Enquanto o fizeres amar-te-ei. Senão o fizeres, o meu amor converter-se-á em ódio.
O mundo do ego divide-se assim entre inimigos (ódio especial) ou salvadores-ídolos (amor especial), e assim a verdadeira Identidade de Cristo nos demais obscurece-se. O julgamento sempre baseado no passado mais do que na aceitação do presente, é o principio orientador do ego. Por meio das relações especiais o ego mantém a sua existência ao perpetuar a culpa, dado que utilizar os outros para que satisfaçam as nossas necessidades constitui um ataque, e o ataque, seja em que forma for, reforça a culpa. Isto põe em marcha um ciclo culpa-ataque, em que quanto maior é a culpa, maior é a necessidade de projectá-la e de atacar os outros por meio de relações especiais. Esta acção simplesmente aumenta a culpa e aumenta a necessidade de projetá-la.
A mentalidade errada do ego é um sonho de separação, claramente expresso no mundo físico que foi fabricado como "um ataque a Deus" (L-pII.3.2.1). A existência do corpo é uma existência de doença, sofrimento, e morte, o qual dá testemunho da aparente realidade do corpo em comparação com o espírito, o qual jamais pode sofrer dor ou morrer. A crucificação é o simbolo que o Curso utiliza para se referir ao ego e para representar a crença no ataque e no sacrifício, onde o ganho de um se converte na perda do outro. Todos os aspectos do mundo separado são ilusões, dado que o que é de Deus jamis poderá separar-se Dele e, por isso o que parece estar separado de Deus não pode ser real. Isto está expresso no princípio do Curso, o qual é de que "as ideias não abandonam a sua fonte": somos uma Ideia (ou Pensamento) na Mente de Deus, a qual jamais abandonou a sua Fonte.
Mentalidade correta
A Resposta de Deus à separação é o Espírito Santo e o Seu plano para desfazer o ego chama-se Expiação. Um Curso em Milagres utiliza muitos termos que refletem o plano do Espírito Santo e cada um deles é um sinônimo vrtual do outro. Nestes incluem-se: milagre, perdão, salvação, cura, mundo real, percepção verdadeira, visão, face de Cristo, razão, justiça, instante santo, relação santa, função, sonho feliz, Segunda Vinda, Palavra de Deus, Juizo final, ressurreição, redenção, correção, despertar, e desfazer.
Estes termos, por pertencerem ao mundo separado da percepção, referem-se ao processo,(o milagre) que corrige as nossas percepções equivocadas, ao deixar de escutar a voz do pecado, da culpa e do medo do ego, para escutar a Voz do perdão do Espírito Santo. Desta maneira, as relações especiais ou profanas tornam-se santas. Sem estas relações não haveria maneira alguma de nos libertar-nos da culpa que o ego nos ensinou a sepultar por meio da negação, e a reter através da projeção. O Espírito Santo troca as voltas ao ego ao converter o seu propósito de projetar, numa oportunidade para vermos nos outros, esta culpa que negámos, e desse modo no-la devolvendo, permitindo-nos assim finalmente mudar a nossa ideia sobre a mesma.
Se bem que a prática do perdão, ou o desfazer da culpa, geralmente se experimente como um processo complexo e a longo prazo, pode entender-se essencialmente como um processo que consta de três passos ( ver, por exemplo, T-5.VII.6;L-pI.23.5;L-pL70.1-4;L-pI.196.7-11). O primeiro passo inverte a projeção ao percebermos que a culpa não está no outro, mas sim em nós mesmos. No segundo passo, agora que a culpa foi trazida à nossa atenção e que reconhecemos que a sua fonte está em nós, desfazemos esta decisão ao elejer ver-nos a nós próprios como Filhos de Deus inocentes, em vez de nos vernos como os filhos culpados do ego. Estes dois passos são da nossa responsabilidade; o passo final compete ao Espírito Santo, que é Quem nos pode libertar dessa culpa, agora que já a entregámos a Ele, ao olhá-la com o Seu Amor junto de nós e, por conseguinte, sem julgamento e sem culpa. Este olhar sem emitir julgamento algum, com um sorriso nos lábios, é o significado do perdão. Ao utilizar o Livro de Exercícios como o nosso guia, eventualmente treinamos-nos para escutar a Voz do Espírito Santo e aprendemos que todas as coisas são oportunidades para aprender a perdoar (L-pI.193).
Ilustrativas deste processo-aspecto do perdão são as referências sobre períodos de inestabilidade e trazer a obscuridade (ilusões) à luz (verdade) assim como a lição 284 do Livro de Exercícios. Estas reflectem a dificuldade quase inevitável que surge quando começamos a tomar seriamente as lições do Espírito Santo e permitimos que a culpa, tão profundamente negada, comece a imergir na consciência.
Quando a nossa culpa se desfaz finalmente, uma vez que a nossa mentalidade correta terá corrigido a nossa mentalidade errada, a ponte que conduz ao mundo real ter-se-á completado. A memória de Deus alboreará nas nossas mentes, uma vez que todas as interferências da mesma se eliminaram e contemplamos a face de Cristo em todas as pessoas. Este mundo de ilusão e de separação chega ao seu fim quando Deus dá o passo final, se inclina e nos eleva até Si Mesmo. Restituíidos à Mentalidade-Una de Cristo, "estamos em casa, onde...[Deus] quer que estejamos"(T-31.VIII.12:8).
Pelo contrário, o desenvolvimento do Curso é bem mais circular, ao tratar os seus temas sinfonicamente: introdu-los, deixa-os de lado, volta a introduzi-los e desenvolve-os. Resultando por isso, numa matriz entrelaçada na qual cada parte é integral e essencial para o todo, embora contenha esse todo em si mesma.
Esta estrutura estabelece um processo de aprendizagem em vez de, simplesmente, expor um sistema teórico. O processo assemelha-se a subir uma escada em forma de espiral. O leitor é conduzido num padrão circular, em que cada volta o leva mais acima até alcançar o topo, o qual vai dar a Deus. Desse modo, o mesmo material repete-se consistentemente, não só no Curso como sistema de pensamento, mas também nas oportunidades de aprendizagem das nossas vidas pessoais. Cada volta, por assim dizer, acerca-nos mais à nossa meta espiritual. Os parágrafos finais do primeiro capítulo do Texto enfatizam particularmente este impacto cumulativo do processo de aprendizagem do Curso.
Através do estudo cuidadoso do Texto, conjuntamente com a prática que providencia o Livro de Exercícios, o estudante prepara-se gradualmente para as experiências mais profundas de Deus para o qual aponta Um Curso em Milagres. O domínio intelectual do seu sistema de pensamento não será suficiente para provocar a transformação perceptual e empírica que constitui a finalidade do Curso.
Um Curso em Milagres distingue dois mundos: Deus e o ego, conhecimento e percepção, verdade e ilusão. Estritamente falando, cada aspecto do mundo perceptual da post-separação reflecte o ego. No entanto, o Curso subdivide, ainda mais, o mundo da percepção entre mentalidade errada e mentalidade correta. Dentro desta estrutura o Curso quase sempre utiliza a palvra "ego" para fazer notar a mentalidade errada, enquanto que a mentalidade correta é o domínio do Espírito Santo, O Qual ensina o perdão como a correção do ego. Assim, podemos falar de três sistemas de pensamento: Mentalidade-Una, a qual pertence ao conhecimento, e mentalidade errada e mentalidade correta as quais refletem o mundo da percepção. A nossa discussão seguirá esta visão tripartida da mente.
Um Curso em Milagres está portanto escrito em dois níveis os quais refletem duas divisões básicas. O primeiro nível mostra a diferença entre a Mente-Una e a mente separada, enquanto que o segundo nível compara a mentalidade errada com a mentalidade correta, que são parte da mente separada. No primeiro nível, por exemplo, o mundo e o corpo são ilusões fabricadas pelo ego, e por conseguinte simbolizam a separação. O segundo nível relaciona-se com o mundo onde acreditamos estar. Aqui, o mundo e o corpo são neutros e podem servir a um de dois propósitos.
Para a mente errada do ego estes são instrumentos para reforçar a separação; para a mente reta do Espírito Santo são os mecanismos de ensino através dos quais aprendemos as Suas lições de perdão. Neste nível, as ilusões referem-se a falsas percepções do ego; por exemplo, ver ataque em vez de um pedido de amor, ver pecado em vez de erro.
Assim, o Curso concentra-se nos nossos pensamentos, não nas manifestações externas as quais são projecções destes pensamentos. Como diz o Curso: " Este é um curso acerca de causas, não de efeitos" (T-21.VII.7:8). Exorta-nos a que não tratemos de mudar o mundo (efeito), mas sim de mudar de mentalidade (causa) acerca do mundo (T-21.in.1:7). Quando a lição 193 afirma: "Perdoarei, e isto desaparecerá" (L-pI.193.13.3), o que quer dizer é que a nossa percepção do problema e de qualquer dor que proceda desta percepção desaparecerá, ainda que não necesáriamente a expressão física do problema. Por exemplo, se a chuva ameaça os planos que tínhamos feito e isso nos produz perturbação ou desengano, não devemos orar para pedir que faça sol, mas sim orar por ajuda para olhar para o tempo inclemente como uma oportunidade que escolhemos para aprender uma licção de perdão que o Espírito Santo pode ensinarnos. Isto não significa que neguemos que o ego pode fazer ou afectar o mundo físico. No entanto, como este mundo físico é inerentemente ilusório, resultado dos nossos pensamentos, a enfâse do Curso está na correcção destes pensamentos equivocados ou destorcidos, os quais são sempre a verdadeira fonte de qualquer problema. Esta correção permite então que o Amor do Espírito Santo dirija a nossa conducta no mundo.
Mentalidade Una
A Mentalidade-Una de Cristo é o mundo do Céu ou do conhecimento: o mundo da pré-separação de espírito, amor, verdade, eternidade, infinito e realidade, onde a unidade da criação de Deus- a soma de todos os Seus Pensamentos- permanece intacta. É o estado natural de comunicação direta com Deus e a sua criação, que existia antes que a mente do Filho de Deus tivesse pensado na separação. Neste estado mantém-se a perfeita união da Trindade.
A Trindade consiste em: 1) Deus, o Pai, 2) O Seu Filho, Cristo, o nosso verdadeiro Ser; 3) Espírito Santo, a Voz que fala por Deus.
Dentro da Segunda Pessoa da Trindade incluem-se as nossas criações, as extensões do nosso Ser o espírito. A Segunda Pessoa da Trindade não se identifica exclusivamente com Jesus, o qual é parte de Cristo, como todos nós.
Mentalidade errada
O ego consiste em três conceitos fundamentais: 1) o pecado - a crença de que nos separámos de Deus; 2) a Culpa -a experiência de ter pecado, de ter feito algo mal o qual emana da nossa crença de termos atacadoDeus e usurpado o Seu papel como Primeira Causa, tendo-nos convertido na nossa própria causa; 3) o medo - a emoção que inevitavelmente deriva da culpa, e que procede da nossa crença no pecado e se fundamenta no nosso pensamento de que merecemos ser castigados pelo deus da vingança fabricado pelo ego.
Para assegurar a sua sobrevivência, o ego contínuamente atrai a culpa a si mesmo, posto que a culpa comprova a realidade do pecado e foi este que deu origem ao ego. Uma vez establecido que a culpa é real, o ego ensina-nos que jamais devemos acercar-nos dela ou sequer olhá-la, porque, se o fizermos seremos destruídos por um deus irado e vingativo - um deus que o ego fabricou, de facto, para satisfazer o seu propósito - disposto a castigar-nos por termos pecado contra si, senão, seremos aniquilados no esquecimento do nosso próprio nada. Este medo mantém intactos a culpa e o pecado, pois a menos que os vejamos como decisões da nossa própria mente, jamais poderemos mudar a nossa crença neles.
Abandonados com a ansiedade e o terror causados pelo medo de Deus, o nosso único recurso é acudir ao ego em busca de ajuda, dado que Deus se converteu em nosso inimigo. O plano que o ego utiliza para salvar-nos da culpa tem duas partes: a primeira é a negação, mediante a qual apartamos a culpa da nossa consciência, com a esperança de que ao não ver o problema este desaparecerá. A segunda parte exorta-nos a que depois de negar a culpa, a projectemos sobre outra pessoa, com a esperança de que, por a colocarmos fora de nós, nos libertarmos dela, mágicamente.
A projecção tem duas formas principais: 1) as relações de ódio especial e 2) as relações de amor especial. Nas relações de ódio especial ou ódio a si mesmo a culpa transfere-se para os outros tornado-os responsaveis pela miséria que sentimos. A nossa ira ou ataque procura justificar a projeção, ao reforçar a culpa dos outros pelos nossos pecados que projectámos sobre eles. As relações de amor especial têm a mesma finalidade de projetar a culpa, ainda que a forma defira grandemente. A nossa culpa ensina-nos que estmos vazios, insatisfeitos, incompletos e necessitados, todos eles aspectos do principio da escassez. Ao acreditarmos que esta carência jamais poderá corrigir-se, procuramos fora de nós aquelas pessoas que possam completar-nos. O amor especial, pois, assume esta forma: tenho certas necessidades que Deus não pode satisfazer, mas tu, uma pessoa especial com atributos especiais, podes satisfaze-las para mim. Enquanto o fizeres amar-te-ei. Senão o fizeres, o meu amor converter-se-á em ódio.
O mundo do ego divide-se assim entre inimigos (ódio especial) ou salvadores-ídolos (amor especial), e assim a verdadeira Identidade de Cristo nos demais obscurece-se. O julgamento sempre baseado no passado mais do que na aceitação do presente, é o principio orientador do ego. Por meio das relações especiais o ego mantém a sua existência ao perpetuar a culpa, dado que utilizar os outros para que satisfaçam as nossas necessidades constitui um ataque, e o ataque, seja em que forma for, reforça a culpa. Isto põe em marcha um ciclo culpa-ataque, em que quanto maior é a culpa, maior é a necessidade de projectá-la e de atacar os outros por meio de relações especiais. Esta acção simplesmente aumenta a culpa e aumenta a necessidade de projetá-la.
A mentalidade errada do ego é um sonho de separação, claramente expresso no mundo físico que foi fabricado como "um ataque a Deus" (L-pII.3.2.1). A existência do corpo é uma existência de doença, sofrimento, e morte, o qual dá testemunho da aparente realidade do corpo em comparação com o espírito, o qual jamais pode sofrer dor ou morrer. A crucificação é o simbolo que o Curso utiliza para se referir ao ego e para representar a crença no ataque e no sacrifício, onde o ganho de um se converte na perda do outro. Todos os aspectos do mundo separado são ilusões, dado que o que é de Deus jamis poderá separar-se Dele e, por isso o que parece estar separado de Deus não pode ser real. Isto está expresso no princípio do Curso, o qual é de que "as ideias não abandonam a sua fonte": somos uma Ideia (ou Pensamento) na Mente de Deus, a qual jamais abandonou a sua Fonte.
Mentalidade correta
A Resposta de Deus à separação é o Espírito Santo e o Seu plano para desfazer o ego chama-se Expiação. Um Curso em Milagres utiliza muitos termos que refletem o plano do Espírito Santo e cada um deles é um sinônimo vrtual do outro. Nestes incluem-se: milagre, perdão, salvação, cura, mundo real, percepção verdadeira, visão, face de Cristo, razão, justiça, instante santo, relação santa, função, sonho feliz, Segunda Vinda, Palavra de Deus, Juizo final, ressurreição, redenção, correção, despertar, e desfazer.
Estes termos, por pertencerem ao mundo separado da percepção, referem-se ao processo,(o milagre) que corrige as nossas percepções equivocadas, ao deixar de escutar a voz do pecado, da culpa e do medo do ego, para escutar a Voz do perdão do Espírito Santo. Desta maneira, as relações especiais ou profanas tornam-se santas. Sem estas relações não haveria maneira alguma de nos libertar-nos da culpa que o ego nos ensinou a sepultar por meio da negação, e a reter através da projeção. O Espírito Santo troca as voltas ao ego ao converter o seu propósito de projetar, numa oportunidade para vermos nos outros, esta culpa que negámos, e desse modo no-la devolvendo, permitindo-nos assim finalmente mudar a nossa ideia sobre a mesma.
Se bem que a prática do perdão, ou o desfazer da culpa, geralmente se experimente como um processo complexo e a longo prazo, pode entender-se essencialmente como um processo que consta de três passos ( ver, por exemplo, T-5.VII.6;L-pI.23.5;L-pL70.1-4;L-pI.196.7-11). O primeiro passo inverte a projeção ao percebermos que a culpa não está no outro, mas sim em nós mesmos. No segundo passo, agora que a culpa foi trazida à nossa atenção e que reconhecemos que a sua fonte está em nós, desfazemos esta decisão ao elejer ver-nos a nós próprios como Filhos de Deus inocentes, em vez de nos vernos como os filhos culpados do ego. Estes dois passos são da nossa responsabilidade; o passo final compete ao Espírito Santo, que é Quem nos pode libertar dessa culpa, agora que já a entregámos a Ele, ao olhá-la com o Seu Amor junto de nós e, por conseguinte, sem julgamento e sem culpa. Este olhar sem emitir julgamento algum, com um sorriso nos lábios, é o significado do perdão. Ao utilizar o Livro de Exercícios como o nosso guia, eventualmente treinamos-nos para escutar a Voz do Espírito Santo e aprendemos que todas as coisas são oportunidades para aprender a perdoar (L-pI.193).
Ilustrativas deste processo-aspecto do perdão são as referências sobre períodos de inestabilidade e trazer a obscuridade (ilusões) à luz (verdade) assim como a lição 284 do Livro de Exercícios. Estas reflectem a dificuldade quase inevitável que surge quando começamos a tomar seriamente as lições do Espírito Santo e permitimos que a culpa, tão profundamente negada, comece a imergir na consciência.
Quando a nossa culpa se desfaz finalmente, uma vez que a nossa mentalidade correta terá corrigido a nossa mentalidade errada, a ponte que conduz ao mundo real ter-se-á completado. A memória de Deus alboreará nas nossas mentes, uma vez que todas as interferências da mesma se eliminaram e contemplamos a face de Cristo em todas as pessoas. Este mundo de ilusão e de separação chega ao seu fim quando Deus dá o passo final, se inclina e nos eleva até Si Mesmo. Restituíidos à Mentalidade-Una de Cristo, "estamos em casa, onde...[Deus] quer que estejamos"(T-31.VIII.12:8).
