terça-feira, 19 de julho de 2011

A COMPETIÇÃO DO MUNDO

A competição permeia cada aspecto de nossas vidas nesse mundo, porque esse é o DNA do ego, poderíamos dizer. "O ego vive literalmente por comparações" (T-4.II.7:1).

Sua própria existência está enraizada na competição pela autoridade final sobre a vida, e ele se sente em constante competição com uma força rival, que está determinada a derrotá-lo. Como fragmentos do ego, nós, portanto, compartilhamos dessas propriedades. O mundo que emergiu do ego é inerentemente um mundo de competição, comparação e conquista (M.8.1). É extremamente comum ouvir pessoas dizerem que viscejam na competição, e iriam achar a vida muito tediosa sem ela. Como "frutos" do ego, como poderia ser de outra forma, a menos que estivéssemos cientes do "outro caminho"?

O propósito é um dos conceitos mais importantes no Curso. Nossas vidas podem servir ou ao propósito do ego, ou ao propósito do Espírito Santo. Não existem outras escolhas que possamos fazer. Se escolhermos compartilhar a percepção do Espírito Santo sobre nós e sobre todos os outros, estaremos focalizados em vermos nossos interesses e necessidades como iguais aos de todos os outros. Isso iria nos permitir desempenhar nossos papéis de forma conscienciosa e competente - como um atleta, pessoa de negócios, orador, etc. - mas, sem as motivações baseadas no ego. Nós, portanto, podemos aprender como competir sem sermos maldosos ou cruéis, ou tendo a única intenção de destruir a outra pessoa, time ou companhia. O mundo é estabelecido para que um time/negócio vença e outro perca, mas esse não tem que ser nosso foco ou motivação, ou a razão para nossa felicidade ou infelicidade.

Sempre podemos pedir ajuda a Jesus para identificarmos como nós apoiamos o sistema de pensamento de divisão e matar-ou-ser-morto do ego. Podemos ficar cientes do quanto ficamos deliciados em assistir outro indivíduo, time ou companhia serem derrotados, por exemplo. Então, podemos levar esses pensamentos e sentimentos ao amor de Jesus em nossas mentes, entendermos de onde eles vêm, e depois escolhermos seguir a Jesus em vez de ao ego.

Podemos, assim, voltar para a mesma situação, mas com uma nova motivação.
É interessante notarmos que nossa efetividade em nossos papéis freqüentemente são ampliadas quando liberamos a sede de vitória, ao custo da derrota de outra pessoa. O ciclo culpa-ataque é a conseqüência inevitável da tremenda carga mental e emocional quando nossas mentes ficam presas nessas dinâmicas. Quando estamos livres dessa carga, freqüentemente funcionamos de forma mais efetiva. Assim, você pode ser habilidosa e mentalmente afiado em um acordo de negócios ou em uma quadra de basquete, por exemplo, enquanto ao mesmo tempo, a intenção em sua mente é reconhecer a ausência de significado de tudo o que parece separá-lo da pessoa do outro lado da mesa, ou do outro time. O Espírito Santo pode usar todas as nossas habilidades - feitas originalmente para encenarmos o sistema de pensamento do ego - para nos ensinar sobre a unicidade que compartilhamos uns com os outros.

O seguinte ensinamento de Jesus pode ser útil para redirecionarmos nossa motivação antes de nos engajarmos em atividades que, na forma, são competitivas.

"Eu já disse que o amigo do ego não é parte de ti, porque o ego se percebe em guerra e, portanto, necessita de aliados. Tu, que não estás em guerra, tens que procurar irmãos e reconhecer como irmãos todos aquele que vês, porque só os iguais estão em paz. No entanto, se percebem qualquer um de seus irmãos como qualquer outra coisa que não seja seus iguais perfeitos, a idéia de competição entra em suas mentes. Não subestimes a tua necessidade de ser vigilante contra essa idéia, porque todos os teus conflitos vêm dela. Essa é a crença em que interesses conflitantes são possíveis e, portanto, tu aceitaste o impossível como verdadeiro. Isso é diferente de dizer que percebes a ti mesmo como irreal?" (T-7.III.3).