Há três tipos distintos de iniciação:
Simbólica ou exterior,
Intelectual (exterior à interior)
e
Vital (interior).
Nas iniciações simbólicas, que reforçam a
vontade e que, portanto, conduzem à Magia como realização, o candidato não
passa por graus de entendimento, mas por graus de intuição, por assim dizer;
ele está continuamente à superfície e na aparência das coisas, e, embora ele
atinja o grau mais elevado, qualquer que seja a ordem ou ordens por que
prossiga, esse grau mais elevado não precisa de corresponder (geralmente não
corresponde) a qualquer coisa como um grau paralelo em qualquer das iniciações
interiores.
Nas iniciações intelectuais, que reforçam o
intelecto e que, portanto, conduzem ao Misticismo como realização, o candidato
passa por estádios de entendimento, mas não por estádios de vida; ele pode
saber muito, mas não precisa de viver aquilo que conhece no mesmo plano em que
o conhece.
Nas iniciações vitais, que reforçam a emoção e,
portanto, conduzem à Alquimia como realização, o candidato vive aquilo que
sente e sabe.
Não será antes que estas iniciações diferem NUMA
outra medida, enquanto a diferença entre Magia, Misticismo e Alquimia.
Então e a Gnose? Se encontra noutro plano de
interpretação? Estas iniciações não são antes físicas, etéreas e astrais? (ou,
talvez, etéreas, astrais e espirituais, ou astrais, mentais e espirituais?).
Possivelmente há três modos pelos quais as
iniciações podem ser interpretadas: (I) os três caminhos de realização, mágico,
místico e gnóstico, (2) os três estádios de realização, Neófito, Adepto e
Mestre, (3) os três graus de realização, astral, mental e espiritual.
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Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética -
Fragmentos do espólio. Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K.
Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. - 60.
Trad.: Maria Helena Rodrigues de Carvalho
