quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

BRASIL TERRA HABITADA

O Brasil não é uma nação. O conceito de nação transcende o de país, que também acho que o Brasil ainda não é. Somos "uma terra habitada".

Se você é da minha geração (hoje entre 50 e 60 anos) é fácil entender o que digo agora. 

Apesar ou até por causa de sermos dessa geração, ou seja, de termos passado por algumas décadas renascentistas brasileira como a década de 60 e 70 do século passado, também vivemos as décadas perdidas de 80 até a os dias atuais. Isso nos deu um visão excelente para compreender essa "terra habitada".

O fato de possuirmos um nível educacional cultural superior a média brasileira também contribuiu para essa "tomada de consciência". Estudamos nos melhores colégios brasileiros na época, no meu caso, Colégio Pedro II e UFRJ. Hoje, nem sombra do que foi, principalmente o colégio federal Pedro II, mais uma consequência do abandono da educação nas décadas perdidas (como já disse 80 do século passado em diante).

A primeira vista isso pode parecer irrelevante, mas não é. E tenho certeza que aquelas pessoas dessa nossa geração entendem perfeitamente o que digo. Só como exemplo, costumo citar, no segmento musical, que acho importante, a Bossa Nova, e a Jovem Guarda. O que se criou após disso, nada. Só mediocridades, funk e outras anormalidades, degenerações. Há uma crise de criatividade, sensibilidade, humanidade, etc. O que assistimos é medíocre, idiota e ignorante, para dizer o mínimo.

As gerações anteriores e posteriores a essa nossa não possuem as condições necessárias para compreensão do que falo aqui, porque as coisas mais significativas que aprendemos, aprendemos por experiência, na vivência e não teóricamente nos livros ou por ouvir dizer.

Então, não se trata de ser ou não ser pessimista, talvez saudosista, na pior das hipóteses ou melhor, dependendo do ponto de vista.

Houve inegáveis progressos tecnológicos e materiais no período 1980 a 2012, mas não houve progresso humano, humanitário, de justiça social. Aliás, nem justiça social muito menos a outra.

Como economista vos digo que a avaliação do desenvolvimento de um país não pode ser medido, aferido, apenas pelo crescimento do PIB (Produto Interno Bruto). Tem que haver principalmente a evolução de indicadores sociais e, hoje em dia, até ambientais e ecológicos, como já é consenso mundial. 

Tem que haver a distribuição da renda. O Brasil é um dos países onde a Renda Nacional se encontra mais concentrada, nas mãos de muito poucos. Há muita demagogia, mas pouquissímo progresso em relação a isso.

O progresso de um país nunca é absoluto e sim, sempre relativo, relativo a outros países, principalmente no mesmo continente. E quando comparamos nesse período, o desenvolvimento brasileiro vis-a-vis com nossos países vizinhos da América Latina, Chile e Argentina, basicamente, o nosso retrocesso relativo fica evidenciado. Se compararmos com ouros países então, fica pior. 

Somos um país subdesenvolvido, relativamente subdesenvolvido. Os políticos, tecnocratas e governantes impõem ao povão a idéia que somos desenvolvidos, mas quem conhece sabe que isso não é verdade.

Causas que provocaram essa situação a que chegamos temos muitas, mas as principais é a corrupção e a impunidade. A corrupção está em todos os níveis e em todos os três poderes e provavelmente no quarto poder (Ministério Público). Mas ela é mais grave no poder Judiciário, devido a sua importância moral, ética e corretiva.

O Brasil é um país estranho, muito estranho. De um povo estranho, muito estranho. Talvez uma junta reunindo os melhores economistas, cientistas sociais, psicólogos, psiquiatras, antropólogos, sociólogos, etc, internacionais possa um dia, quem sabe, retratar essa "terra habitada".

Eu perdi a esperança nessa terra, "gosto da terra mas não gosto da gente". Mas mantenho a fé no Espírito Santo e o Amor que nasceu comigo e me foi dado pelo Criador. Eu não criei a mim mesmo. E o que tenho realmente de valor não me foi dado pelo Homem, portanto não me pode ser tirado. Entende?

Como meu homônimo, o apóstolo, também tenho "lutado o bom combate". Mas, estou cansado. Porque "viver" nessa terra cansa.

(Paulo Cesar de Oliveria, 01.03.2012)
2

O fim do mundo

0

É o fim da ilusão

1

É o fim do amor

2

É o fim do meu tesão

(Paulo Cesar de Oliveira)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Eu vivi momentos mágicos
Que ficaram eternizados na minha mente
Nas minhas lembranças, na minha memória

Nem mesmo a ilusão e o terror que assisto 
todos os dias
Foi capaz de apagar esses momentos

Mágicos, é a palavra que melhor define

Só lamento terem sido tão curtos
Eu diria até curtíssimos

Eu não acredito que a felicidade
seja um estado constante

E o que não é constante e eterno não existe
 
Ouvi alguém dizer que ela, a felicidade,
É apenas a soma dos momentos felizes

Eu gostaria de viver só do presente
Mas é da lembrança do meu passado
Que busco forças para acreditar
que ainda vale a pena viver

A vida aconteceu
Enquanto eu fazia planos

Tudo passa
O amor, a tristeza, a alegria...
Só eu fiquei aqui
Sozinho
Comigo mesmo

(Paulo Cesar de Oliveira)
Vim para amar neste mundo,
e até do amor me perdi.
De que serviu tecer flores
pelas areias do chão,
se havia gente dormindo
sobre o próprio coração?

E não pude levantá-la!

Choro pelo que não fiz.
E pela minha fraqueza
é que sou triste e infeliz.

Cecília Meirelles

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O DIA QUE MINHA ALMA DESCEU A TERRA

Confusa com seu destino
Minha alma desce a Terra
E interroga-me sobre o que não vejo e não sinto
O que aconteceu com o Éden?
Como a Terra se tornou esse calabouço horrendo?
Por que as pessoas vivas estão morrendo?

Ao ouvir essas indagações
Chora a esperança e estremece a angústia
Os sinos tocam de repente
E acordam os espíritos sonolentos e vagabundos

Penso na obscena corrupção humana
E não sei o que dizer a minha alma

Como viajante do espanto
Chorei comigo a minha imensa tristeza
E nesse momento
A  minha condição absolutamente humana

(© 24.02.2012 – Paulo Cesar de Oliveira)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

MARESIA

Hoje eu acordei emputecido
Não sei bem o motivo

Acho que a cada dia fico mais empobrecido

Vou voar até o infinito
Sem dor e sem grito

Quero me encontrar com alguma coisa boa
Assim como um poema de Fernando Pessoa

Hoje eu acordei emputecido
Não é com vocês

É com Deus

Buscar sem esperanças e sentido,
Algo cuja existência é discutível

Tudo mente na minha mente

E essa maresia...
Me fugiu até o sentido da poesia



Paulo Cesar de Oliveira
O falso poeta que só escreve besteira

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"Poesia é um texto em que o significante não existe meramente à serviço do significado; onde significante e significado funcionam juntos; e onde é este conjunto (e não apenas o significado) que provoca sentimentos, impressões, emoções ou reflexões." "Na poesia, cada palavra tem seu papel não apenas por seu significado, mas por seu ritmo, pela sua sonoridade, pela forma como se relaciona com as outras palavras, e, modernamente, até mesmo pelo seu aspecto visual..." Essa definição tem o mérito de deixar bem claro que poesia não é só significado. Aliás, esse talvez seja o único ponto sobre o qual eu nunca vi discordância por parte de poetas ou apreciadores de poesia. Não importa o quão "poético" seja o conteúdo de um texto, se o autor o escreveu preocupado apenas com o significado – tendo apenas a sintaxe como guia – não é poesia! Se alguém tem essa idéia de que o que realmente importa na poesia é o significado e de que o resto – o ritmo, a métrica, a rima – são detalhes, esta pessoa provavelmente teve pouco contato com poesia, e a encara como se ela fosse uma espécie rebuscada ou enfeitada de prosa. De vez em quando aparece alguém para dizer algo como: "De poesia, eu gosto do significado." Isso é mais ou menos como aquele americano que certa vez declarou que "gostava ser goleiro porque adorava desarmar o adversário, limpar a jogada e passar, e se possível sair driblando e marcar o gol." O goleiro pode até fazer tudo isso, principalmente se for o Highita da Colômbia, mas nós sabemos que a função dele não é essa. A lógica de um texto não-poesia está na estrutura sintática e no significado. A lógica da poesia vai além da estrutura sintática e do significado."

(Copyright © 2002 by André Carlos Salzano Masini)
Texto registrado na Biblioteca Nacional,