domingo, 12 de março de 2017



"VER O QUE NINGUÉM VÊ"

Meu amigo e poeta Geovane
uma vez uma amiga fotógrafa me disse que para tirar boas fotos
eu devo olhar para o objeto a ser fotografado 
e "ver o que ninguém vê"
aquela frase ficou na minha cabeça: "ver o que ninguém vê"
consciente ou inconscientemente minha amiga fotógrafa
revelou um dos segredos da vida: "ver o que ninguém vê"
pense comigo, amigo
o Universo é uma dança de planetas e estrelas
olha o que disse Fernando Pessoa:

"Os críticos podem dizer que determinado poema, longamente ritmado, não quer, afinal, dizer senão que o dia está bom. Mas dizer que o dia está bom é difícil, e o dia bom, ele mesmo, passa. Temos pois que conservar o dia bom em memória florida e prolixa, e assim constelar de novas flores ou de novos astros os campos ou os céus da exterioridade vazia e passageira"

Um lógico, um teórico, um cientista, um matemático, um engenheiro mecânico, eletricista, em suma, um ser racional
não pode "ver o que ninguém vê"
ele só entende de equações e razões
a mente dele é lógica, é racional
eles precisam de fatos, de provas
eles só podem ver com os olhos
mas as coisas mais lindas são vistas com os olhos fechados

O Universo é assim
a poesia é assim
o Amor é assim
quem Ama uma pessoa vê nessa pessoa amada
"o que ninguém vê"
o que ninguém viu
muitas vezes, nem a própria pessoa amada
viu exatamente o que ela é

A Lua dança em torno da Terra
a Terra dança em torno do Sol
os demais planetas da nossa Galáxia
também dançam em torno do nosso Sol
o Sol dança em torno do Universo
e é assim nos bilhões de Galáxias
uma dança infinita
pode tocar um blues
ou uma música do Universo
o Universo dança
os planetas e estrelas dançam
tudo isso aos olhos do Grande Arquiteto
do Pai Universo

Eu sou um Aprendiz de Poeta
eu vivo nas estrelas

*pco

domingo, 5 de março de 2017


A política segundo Fernando Pessoa

«FERNANDO PESSOA [Nota autobiográfica:] (…)
Filiação: Filho legítimo de Joaquim de Seabra Pessoa e de D. Maria Madalena Pinheiro Nogueira. Neto paterno do general Joaquim António de Araújo Pessoa, combatente das campanhas liberais, e de D. Dionísia Seabra; neto materno do conselheiro Luís António Nogueira, jurisconsulto e Director-Geral do Ministério do Reino, e de D. Madalena Xavier Pinheiro. Ascendência geral: misto de fidalgos e judeus.
Estado civil: Solteiro.
Profissão: A designação mais própria será “tradutor”, a mais exacta a de “correspondente estrangeiro” em casas comerciais. O ser poeta e escritor não constitui profissão, mas vocação. (…)
Funções sociais que tem desempenhado: Se por isso se entende cargos públicos, ou funções de destaque, nenhumas. (…)
Ideologia Política: Considera que o sistema monárquico seria o mais próprio para uma nação organicamente imperial como é Portugal. Considera, ao mesmo tempo, a Monarquia completamente inviável em Portugal. Por isso, a haver um plebiscito entre regimes, votaria, embora com pena, pela República. Conservador do estilo inglês, isto é, liberal dentro do conservantismo, e absolutamente anti-reaccionário. (…)
Posição social: Anti-comunista e anti-socialista. O mais deduz-se do que vai dito acima.
Resumo de estas últimas considerações: Ter sempre na memória o mártir Jacques de Molay, Grão-Mestre dos Templários, e combater, sempre e em toda a parte, os seus três assassinos – a Ignorância, o Fanatismo e a Tirania.
Lisboa, 30 de Março de 1935.
Fernando Pessoa [assinatura autógrafa]»
«O comunismo é um dogmatismo sem sistema. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido e, com ele, se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo o que dorme nos baixos instintos que se escondem em cada um de nós.»
«A mocidade de hoje viu, além disso, que os libertários, os socialistas, os democratasa arder em amor pelo povo, acabavam na concussão e no peculato, no uso, nas suas relações com o povo, da polícia e do exército. E, como esta experiência é a última, a mocidade de hoje lembrou-se de concluir que a realidade vale mais que as boas intenções, que é inútil pregar boas doutrinas se apenas as más podem vingar. Mais vale, pensaram eles, que se defendam, desde logo, as doutrinas antipáticas. Por mim, acho preferível defender, como algum dia farei, com a devida argumentação sociológica, que é mais legítimo que os políticos roubem e espoliem o povo, do que roubar e espoliar o povo chamando a essa atitude “governo popular”, “democracia”, “liberdade” e outras coisas assim. O anarquismo, o socialismo, o democratismo — todo esse lixo de teorias simpáticas que se esquecem de que teorizam para a humanidade de carne-e-osso — foram divinizações da mentira.»
«No que respeita à época presente, com os seus preconceitos liberalistas e igualitários, veremos que eles em nada impedem a operação instintiva, em plena afirmação igualitária, do fundamental egoísmo humano. Escolheremos para exemplo a mesma classe — a classe popular —, e iremos colher a amostra naquela parte da classe popular que mais extremo “liberalismo” estadeia — os infelizes mentais cuja ignorância sociológica e desconhecimento da história os leva a ter ideias socialistas ou parecidas, demência terminal do liberalismo. Vemos, com efeito, que esses pobres diabos busquem espontaneamente qualquer resultado de acordo com a base liberalista e igualitária da sua doutrina? Não o vemos. O que encontramos, é, ao contrário, a tendência para substituir aos pretensos “privilégios” do capital uns outros “privilégios” — os do chamado “trabalho”. A tendência espontânea é para a inversão dos factores, não para a sua igualização. E a célebre “ditadura do proletariado”, último avatar da ignorância e da asneira, revela, com a ingenuidade mental característica dos seus criadores, aquele naturel que revient au galop, quanto mais o querem escorraçar.»
«E entre essas coisas da decadência que em nossa alma […] se apresentavam, especialmente nos (…) aquelas teorias políticas — socialismo e anarquismo — que mais nitidamente são expressões de um modo de teorizar e de idear doutrinas, isto é, que mais flagrante, posto que maltusianamente (?) são o pensamento de uma sociedade em plena desintegração. À medida que nos sanearmos, iremos deixando de ser anarquistas e socialistas.»
«Compare Fernando Pessoa as discussões dos escolásticos com, sobretudo, as dos socialistas, comunistas e anarquistas modernos. É o mesmo especulativismo de manicómio, ressalvando que os escolásticos eram subtis, disciplinados no raciocínio e inofensivos, e os modernos «avançados» (como a si-próprios se chamam, como se houvesse «avanço» onde não há ciência) são estúpidos, confusos e, dada a pseudo-semicultura da época, incómodos.» [Por Álvaro de Campos]
«Passai, tradicionalistas auto-convencidos, anarquistas deveras sinceros, socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar! Rotineiros da revolução, passai!» 
[Por Álvaro de Campos]

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017


SILÊNCIO E MAGIA

Gosto muito do teu silêncio
porque ele me faz ao mesmo tempo
um idiota e um homem humilde

Respeito o teu silêncio
porque conheço seu significado
e sua mensagem
e também conheço
a Lei Universal do Respeito

Adoro o teu silêncio
porque ele te torna poeta
e me faz aprendiz de

Amo as palavras
porque elas dão sentido a minha vida
e me ajudam a passar o meu tempo e a esvaziar meu coração

Amo mais ainda o silêncio
porque com ele eu medito
e faço a Conexão com
o Universo Pai
a Mãe Natureza
e com as estrelas

Uso as palavras para me comunicar
mas quando te amo
eu já uso o meu
silêncio
porque aquilo é magia

"Você escreve muitos poemas"
você pensa
mas teu silêncio não me diz
sim, eu escrevo
mas são apenas palavras.
o sentido e o que significam,
é o teu silêncio quem dá

Não, por favor, não diga nada
não quebre essa magia

*pco
carnaval de 2017

SENSUAL

hetero sexual
homo sexual
bi sexual
trans sexual
(o que deve ser isso?)
metro sexual
a sexual
mega sexual

hermafrodita

não,
sensual
seja apenas sensual
e isso você já é

(será que alguém vai entender esse poema)

*pco

CARNAVAL 2017

Multidões me assustam
pessoas me assustam
com seus subterrâneos
tão escuros
eu às vezes me assusto
comigo mesmo
com meu desinteresse
nesse mundo
com a insanidade geral
no Carnaval
eu costumo ficar quietinho
em casa
esperando essa histeria coletiva passar
essa loucura maior
dentro da própria loucura
pois o país fica mais barulhento
mais violento
eu acabo ficando mais sonolento
se pudesse
eu dormiria os quatro dias de carnaval
acordaria só na quarta-feira de cinzas
depois do meio dia
mas eu preciso ficar acordado
quietinho em casa
às vezes pensando em você
eu preciso continuar fazendo meus poemas acordado
antes que Nabiru passe por aqui
estava lendo a poetisa Clarice Lispector
ela disse uma frase:
"É preciso saber não entender"
É exatamente isso que está me faltando
eu não estou sabendo
eu ainda estou tentando entender
o Carnaval
e tudo mais
mas é "preciso saber não entender"

*pco

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017


Hoje eu faço poemas como quem vê discos voadores
como quem procura sua civilização de origem
como quem sabe que seus dias estão contados
no planeta-prisão
como quem vê a liberdade tão próxima
ao alcance da mão

Minha consciência em expansão

Hoje eu faço poemas como uma comunicação
com meus irmãos das estrelas
de qualquer Constelação
hoje eu faço poemas como meditação

Hoje, como me ensinou meu amigo Henrique
eu não carrego mais frases que são desanimadoras

Hoje eu só levo comigo, 
pra minha vida, o que eu quero

Eu sempre amei a Natureza
sempre amei seus filhos
e seu Reino

Hoje eu fecho os olhos
e vejo discos voadores
passeando no Universo
abrindo e transpassando Portais

Hoje, eu não vejo só 
o que meus olhos vêem

*pco

domingo, 19 de fevereiro de 2017


EU SOU UM FRAGMENTO DO UNIVERSO VIAJANDO NO MUNDO DOS DESEJOS

"Antigamente eu sabia exatamente aonde ir" -
dizia a canção.
Mesmo se eu descobrisse depois,
que aquele caminho ou lugar,
estivesse errado.
Eu voltava e recomeçava, fazia um outro caminho, inventava um outro lugar.
Mas eu sabia aonde ir.
A minha absoluta ignorância e inocência
me faziam feliz.

Agora,
eu só tenho um caminho,
e ele me leva para dentro de mim.
Todos os caminhos que percorri
todos os lugares que estive e visitei
me levaram para dentro de mim.

Dizia Sidarta, o Buda:
"Os desejos são a causa do sofrimento."
E é mesmo.
Eu sofro por te desejar.
Eu sofro por desejar algumas coisas.
Viver nesse mundo,
nessa Dimensão,
nessa nossa tremenda limitação,
é desejar.
Eu te desejo, sem medo e sem culpa.
Eu não quero ser feliz aqui
aqui, eu só quero desejar
e meus desejos realizar
eu desejo sem culpa e sem medo.

Eu sou Filho do Universo.
Minha mãe é a Natureza, 
que decorou todos os planetas e os mundos.
Eu sou irmão do fogo, da terra, da água e do ar. 
De que é feito meu corpo físico.
Eu olho para o Reino Vegetal e Animal e me comunico com eles. Eu convivo em harmonia com eles.
Sou feito da poeira das estrelas, que habitam o Universo Infinito, bilhões de galáxias.
Eu sou um FRAGMENTO do Pai Universo.
Uma centelha, um grão de areia,
numa aventura nesse planeta-prisão
consciência em expansão.

Eu sempre estive salvo.
A ignorância era minha única prisão.

*pco