sábado, 7 de abril de 2012

MUNDOS PARALELOS

Vivo em dois mundos paralelos
Um que foi criado
E outro que eu mesmo criei

Amo duas mulheres numa só
Uma abandonei
Outra eu mesmo inventei

Vivo em dois mundos paralelos
Um em que me perdi
E outro que tento me encontrar

Amo duas mulheres numa só
Uma é paixão
Outra ilusão

Vivo em dois mundos paralelos
Num estou morrendo
Noutro estou nascendo

(©2012  4  - Paulo Cesar de Oliveira)

VILÃO

Virei vilão,
Num mundo que impõe sua falsa verdade,
Em que não existem mocinhos,
Em que os sonhos são para os tolos,
E a felicidade para os falsos.


Virei vilão,
Por trilhar um dos caminhos iguais que me foram apresentados,
Por desejar que tudo fosse diferente quando tudo é igual,
Por desconhecer que tendo início, não importa o meio, o final será sempre o mesmo.


Virei vilão,
Entre vilões materializados em imagens confusas,
Onde ser pode não significar ser.


Virei vilão,
Para compreender o que não pode ser compreendido,
Para sentir o que não pode ser sentido,
Para escolher o que não pode ser escolhido.


Virei vilão,
Para te ver, te sentir e te possuir,
Virei vilão para salvá-la de um mundo,
Sem saber que nele eu estava perdido.

(Alberto Leal - 30 outubro 2004)

PEQUENO PERFIL DE UM CIDADÃO COMUM

Era um cidadão comum como esses que se vê na rua
Falava de negócios, ria, via show de mulher nua
Vivia o dia e não o sol, a noite e não a lua
Acordava sempre cedo (era um passarinho urbano)
Embarcava no metrô, o nosso metropolitano...
Era um homem de bons modos:
"Com licença; - Foi engano"
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que caminha para a morte pensando em vencer na vida
Era feito aquela gente honesta, boa e comovida
Que tem no fim da tarde a sensação
Da missão cumprida
Acreditava em Deus e em outras coisas invisíveis
Dizia sempre sim aos seus senhores infalíveis
Pois é; tendo dinheiro não há coisas impossíveis
Mas o anjo do Senhor (de quem nos fala o Livro Santo)
Desceu do céu pra uma cerveja, junto dele, no seu canto
E a morte o carregou, feito um pacote, no seu manto
Que a terra lhe seja leve

(Belchior )

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

( Pablo Neruda )
(Retirado de: Cem sonetos de amor)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

NÃO

Não tenho o que dizer
Não sei o que fazer

Não quero mais te conhecer
Não posso mais beijar você

Não quero conhecer
Não preciso mais saber

Não quero crer
Não sei sofrer

Não quero mais comer
Não vou mais beber

Não quero viver
Não posso morrer


Eu quero mesmo é desaparecer



(©2012 4 - Paulo Cesar de Oliveira)

domingo, 1 de abril de 2012

VOCÊ ME PEDIU UM POEMA...

Me pediste que lhe escrevesse um poema
E não pude fazê-lo
E me entristeci

Meus poemas são flechas envenenadas
Que se voltam contra mim
Não posso atirá-las em ti
Não posso feri-la

Sou um homem cansado
Que não acredita no amor
Se amo não amo a amada
Amo tão somente o amor
E a saudade

Não,isso não é uma contradição
Eu posso amar sim, aquilo que não acredito
O amor não segue nenhuma regra
Nenhuma lógica, nenhuma coerência
Ele simplesmente acontece
Livre de crenças

Sou infiel
Às vezes cruel
Sou triste
De uma tristeza justa

Nunca fui senhor do meu destino
E Deus sempre riu dos meus planos
Vivo
Simplesmente porque não sei fazer outra coisa

Ah! Sim, também sou mentiroso
Mas minto com perfeição
Difícil saber o que é verdade
E o que é ilusão
É como saber a diferença
Entre amor e paixão

Compreende agora?
Porque todos meus poemas
Só podem ser para mim
Como posso dividir com você essa angústia
Toda essa desilusão

Você acredita em tantas coisas
Que um dia também acreditei
Não posso destruir teus sonhos
Talvez você seja igual a essas pessoas
Cujos sonhos são a única coisa que lhes restou

Você gostaria de um poema de amor

Não é mesmo?

Existiu um poeta famoso que um dia escreveu assim:

"Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto."


O mundo, o amor e a felicidade são uma ilusão
Mas, por favor
Não acredite em mim
Viva os teus sonhos



(© 2012 4 - Paulo Cesar de Oliveira)

O QUE É O EGO ?

"O ego é um sacrifício, é o único inferno que conheço" (Osho)