terça-feira, 31 de março de 2015


LEIA O QUE DIZ UM JORNALISTA DA ESQUERDA SOBRE O PT


Falido como partido, PT tenta sorte como piada

Josias de Souza

Após reunião com Lula e o presidente do PT, Rui Falcão, dirigentes do partido nos Estados divulgaram um manifesto revelador. O texto indica que o PT não só acredita em vida depois da morte como crê piamente que é esta que está vivendo. Após fenecer como partido, o PT tenta a sorte como piada.
O manifesto do PT anota a certa altura: “Como já reiteramos em outras ocasiões, somos a favor de investigar os fatos com o maior rigor e de punir corruptos e corruptores. […] E, caso qualquer filiado do PT seja condenado em virtude de eventuais falcatruas, será excluído de nossas fileiras.”
É como se o partido desejasse dar um banho de gargalhada no país. A última vez que o PT declarou-se a favor de apurações rigorosas foi antes do julgamento do mensalão. Sentenciada, sua cúpula passou uma temporada enjaulada na Papuda. E não há vestígio de expulsão. Ao contrário.
Vítima de um expurgo cenográfico na época da explosão do escândalo, Delúbio foi readmitido nos quadros da legenda. Com as bênçãos de Lula. Dirceu e Genoino são cultuados nos encontros partidários como “guerreiros do povo brasileiro”.
Noutra evidência de que o cotidiano do petismo é uma tragédia que os petistas vivem como comédia, o manifesto aponta a existência de “uma campanha de cerco e aniquilamento”, na qual vale tudo para acabar com o PT, “inclusive criminalizar” a legenda. A cruzada antipetista é realmente implacável.
Deve-se a criminalização do PT aos petistas que, ocupados em salvar o país, não tiveram tempo de ser honestos. A Procuradoria da República e o juiz Sérgio Moro elegeram como inimigo número 1 da honra petista o tesoureiro João Vaccari Neto. José Dirceu, reincidente, está na bica de ser convertido em inimigo número 2.
Noutro trecho, o manifesto sustenta: “Perseguem-nos pelas nossas virtudes. Não suportam que o PT, em tão pouco tempo, tenha retirado da miséria extrema 36 milhões de brasileiros e brasileiras. Que nossos governos tenham possibilitado o ingresso de milhares de negros e pobres nas universidades.” Trata-se de uma reedição do velho discurso do “rouba mais faz”. Só que num formato bem mais divertido.
“Não toleram que, pela quarta vez consecutiva, nosso projeto de país tenha sido vitorioso nas urnas”, acrescenta o texto, numa cômica injustiça com os 13% de brasileiros que, segundo o Datafolha, ainda consideram Dilma Rousseff ótima ou boa três meses depois da segunda posse.
O 5º Congresso do PT, marcado para junho, deve “sacudir” a legenda, antevê o manifesto. Anuncia-se a retomada da “radicalidade política” e o desmanche da “teia burocrática” que imobiliza a direção partidária “em todos os níveis”, levando o partido a habituar-se com o “status quo”.
Suspeita-se que os redatores do manifesto tenham desejado dizer o seguinte: o PT vai se auto-sacudir radicalmente, para combater seu próprio status quo. De preferência, destruindo o status sem mexer no quo.
Uma coisa é preciso reconhecer: o ex-PT cada vez mais se dá bem consigo mesmo. O que é tragicamente cômico.

Eu posso falar, escrever
ou fazer os poemas mais
bonitos sobre o amor
e jamais ser esse amor
de que falo
Como posso também nunca
falar de amor para você
e no meu silêncio
ser todo o amor
que que você deseja
Mas se você puder
se lhe for permitido
olhar dentro dos meus olhos
você saberá a verdade
/pco

segunda-feira, 30 de março de 2015


NA MADRUGADA A POESIA CHEGA

Na falta do que dizer
escrevi umas coisas para você
não sei se te amo
só saberei quando beijar a tua boca

A madrugada chega 
e traz consigo um milhão de pensamentos.
alguns eu exorciso com palavras
outros eu guardo numa caixa
pela manhã aqueles que ficaram presos são soltos
e voltam a noite.
alguns são velhos pensamentos
e outros, pensamentos novos

Noites de mágicos cansaços
quanto te vejo tão longe de mim
mas tão perto da minha alma
é quando você tem os meus desejos
mas não sei se te tenho 
ou se te perdi para sempre
embriago-me com o vinho
como se fosse teus beijos
sobre teu corpo que imagino
faço meus poemas de amor
os outros são de dor
não são teus

/pco

O EX-COVARDE

Nélson Rodrigues


Entro na redação e o Marcelo Soares de Moura me chama. Começa: - "Escuta aqui, Nélson. Explica esse mistério." Como havia um mistério, sentei-me. Ele começa: - "Você, que não escrevia sobre política, por que é que agora só escreve sobre política?" Puxo um cigarro, sem pressa de responder. Insiste: - "Nas suas peças não há uma palavra sobre política. Nos seus romances, nos seus contos, nas suas crônicas, não há uma palavra sobre política. E, de repente, você começa suas "confissões". É um violino de uma corda só. Seu assunto é só política. Explica: - Por quê?"

Antes de falar, procuro cinzeiro. Não tem. Marcelo foi apanhar um duas mesas adiante. Agradeço. Calco a brasa do cigarro no fundo do cinzeiro. Digo: - "É uma longa história." O interessante é que outro amigo, o Francisco Pedro do Couto, e um outro, Permínio Ásfora, me fizeram a mesma pergunta. E, agora, o Marcelo me fustigava: - "Por quê?" Quero saber: - "Você tem tempo ou está com pressa?" Fiz tanto suspense que a curiosidade do Marcelo já estava insuportável.


Começo assim a "longa história": - "Eu sou um ex-covarde." O Marcelo ouvia só e eu não parei mais de falar. Disse-lhe que, hoje, é muito difícil não ser canalha. Por toda a parte, só vemos pulhas. E nem se diga que são pobres seres anônimos, obscuros, perdidos na massa. Não. Reitores, professores, sociólogos, intelectuais de todos os tipos, jovens e velhos, mocinhas e senhoras. E também os jornais e as revistas, o rádio e a tv. Quase tudo e quase todos exalam abjeção.



Marcelo interrompe: - "Somos todos abjetos?" Acendo outro cigarro: - "Nem todos, claro." Expliquei-lhe o óbvio, isto é, que sempre há uma meia dúzia que se salve e só Deus sabe como. "Todas as pressões trabalham para o nosso aviltamento pessoal e coletivo." E por que essa massa de pulhas invade a vida brasileira? Claro que não é de graça nem por acaso.



O que existe, por trás de tamanha degradação, é o medo. Por medo, os reitores, os professores, os intelectuais são montados, fisicamente montados, pelos jovens. Diria Marcelo que estou fazendo uma caricatura até grosseira. Nem tanto, nem tanto. Mas o medo começa nos lares, e dos lares passa para a igreja, e da igreja passa para as universidades, e destas para as redações, e daí para o romance, para o teatro, para o cinema. Fomos nós que fabricamos a "Razão da Idade". Somos autores da impostura e, por medo adquirido, aceitamos a impostura como a verdade total.



Sim, os pais têm medo dos filhos, os mestres dos alunos. o medo é tão criminoso que, outro dia, seis ou sete universitários curraram uma colega. A menina saiu de lá de maca, quase de rabecão. No hospital, sofreu um tratamento que foi quase outro estupro. Sobreviveu por milagre. E ninguém disse nada. Nem reitores, nem professores, nem jornalistas, nem sacerdotes, ninguém exalou um modestíssimo pio. Caiu sobre o jovem estupro todo o silêncio da nossa pusilanimidade.



Mas preciso pluralizar. Não há um medo só. São vários medos, alguns pueris, idiotas. O medo de ser reacionário ou de parecer reacionário. Por medo das esquerdas, grã-finas e milionários fazem poses socialistas. Hoje, o sujeito prefere que lhe xinguem a mãe e não o chamem de reacionário. É o medo que faz o Dr. Alceu renegar os dois mil anos da Igreja e pôr nas nuvens a "Grande Revolução" russa. Cuba é uma Paquetá. Pois essa Paquetá dá ordens a milhares de jovens brasileiros. E, de repente, somos ocupados por vietcongs, cubanos, chineses. Ninguém acusa os jovens e ninguém os julga, por medo. Ninguém quer fazer a "Revolução Brasileira". Não se trata de Brasil. Numa das passeatas, propunha-se que se fizesse do Brasil o Vietnã. Por que não fazer do Brasil o próprio Brasil? Ah, o Brasil não é uma pátria, não é uma nação, não é um povo, mas uma paisagem. Há também os que o negam até como valor plástico.



Eu falava e o Marcelo não dizia nada. Súbito, ele interrompe: - "E você? Por que, de repente, você mergulhou na política?" Eu já fumara, nesse meio-tempo, quatro cigarros. Apanhei mais um: - "Eu fui, por muito tempo, um pusilânime como os reitores, os professores, os intelectuais, os grã-finos etc, etc. Na guerra, ouvi um comunista dizer, antes da invasão da Rússia: - "Hitler é muito mais revolucionário do que a Inglaterra." E eu, por covardia, não disse nada. Sempre achei que a história da "Grande Revolução", que o Dr. Alceu chama de "o maior acontecimento do século XX", sempre achei que essa história era um gigantesco mural de sangue e excremento. Em vida de Stalin, jamais ousei um suspiro contra ele. Por medo, aceitei o pacto germano-soviético. Eu sabia que a Rússia era a antipessoa, o anti-homem. Achava que o Capitalismo, com todos os seus crimes, ainda é melhor do que o Socialismo e sublinho: - do que a experiência concreta do Socialismo.



Tive medo, ou vários medos, e já não os tenho. Sofri muito na carne e na alma. Primeiro, foi em 1929, no dia seguinte ao Natal. Às duas horas da tarde, ou menos um pouco, vi meu irmão Roberto ser assassinado. Era um pintor de gênio, espécie de Rimbaud plástico, e de uma qualidade humana sem igual. Morreu errado ou, por outra, morreu porque era "filho de Mário Rodrigues". E, no velório, sempre que alguém vinha abraçar meu pai, meu pai soluçava: - "Essa bala era para mim." Um mês depois, meu pai morria de pura paixão. Mais alguns anos e meu irmão Joffre morre. Éramos unidos como dois gêmeos. Durante 15 dias, no Sanatório de Correias, ouvi a sua dispnéia. E minha irmã Dorinha. Sua agonia foi leve como a euforia de um anjo. E, depois, foi meu irmão Mário Filho. Eu dizia sempre: - "Ninguém no Brasil escreve como meu irmão Mário." Teve um enfarte fulminante. Bem sei que, hoje, o morto começa a ser esquecido no velório. Por desgraça minha, não sou assim. E, por fim, houve o desabamento de Laranjeiras. Morreu meu irmão Paulinho e, com ele, sua esposa Maria Natália, seus dois filhos, Ana Maria e Paulo Roberto, a sua sogra, D. Marina. Todos morreram, todos, até o último vestígio.



Falei do meu pai, dos meus irmãos e vou falar também de mim. Aos 51 anos, tive uma filhinha que, por vontade materna, chama-se Daniela. Nasceu linda. Dois meses depois, a avó teve uma intuição. Chamou o Dr. Sílvio Abreu Fialho. Este veio, fez todos os exames. Depois, desceu comigo. Conversamos na calçada do meu edifício. Ele foi muito delicado, teve muito tato. Mas disse tudo. Minha filha era cega.



Eis o que eu queria explicar a Marcelo: - depois de tudo que contei, o meu medo deixou de ter sentido. Posso subir numa mesa e anunciar de fronte alta: - "Sou um ex-covarde." É maravilhoso dizer tudo. Para mim, é de um ridículo abjeto ter medo das Esquerdas, ou do Poder Jovem, ou do Poder Velho ou de Mao Tsé-tung, ou de Guevara. Não trapaceio comigo, nem com os outros. Para ter coragem, precisei sofrer muito. Mas a tenho. E se há rapazes que, nas passeatas, carregam cartazes com a palavra "Muerte", já traindo a própria língua; e se outros seguem as instruções de Cuba; e se outros mais querem odiar, matar ou morrer em espanhol - posso chamá-los, sem nenhum medo, de "jovens canalhas". 



RODRIGUES, Nélson. In A cabra vadia (novas confissões), Livraria Eldorado Editora S.A., Rio de Janeiro, s/data, págs. 7-10. 



QUANDO SE COMEÇA A COLOCAR A JUSTIÇA DE UM PAÍS EM XEQUE...

Cel.  Gobbo

Uma manobra de bastidores dentro do STF permitiu que o ministro Toffoli, a seu pedido e com a aprovação do ministro Levandowski (que dupla!) fosse transferido para a segunda turma do Tribunal, da qual será o presidente durante a apreciação dos fatos da operação Lava Jato.

É interessante conhecer um breve memorial desse senhor para que se possa avaliar seu grau de isenção para o exercício dessas funções.

A ligação do Exmo. Sr. Ministro com  o Partido dos Trabalhadores  vem desde 1995, quando já era assessor jurídico da liderança do  PT na Câmara dos  Deputados, em Brasília.

- Foi advogado do PT nas campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de  1998, 2002 e 2006.

- De janeiro de 2003 a julho de 2005, exerceu o cargo de subchefe da área de Assuntos Jurídicos da Casa Civil da Presidência da República tendo como chefe o Sr. José Dirceu de Oliveira e Silva, por acaso o principal réu da Ação Penal 470, o chamado “mensalão”.

- Em 12 de março de 1997, a convite do então presidente Lula assumiu a Advocacia Geral da União, função que exerceu até outubro de 2009.

 O Artigo 101 da Constituição Federal de 1988 reza:

O Supremo Tribunal Federal compõe-se de onze ministros, escolhidos dentre cidadãos com mais de trinta e cinco e menos de sessenta e cinco anos de idade, de notável saber jurídico ereputação ilibada. (Grifos meus)

O ministro Toffoli:

- Que eu saiba, não concluiu qualquer curso de pós-graduação.
- Foi reprovado duas vezes em provas e títulos para a Magistratura de primeira instância (como merecer o exercício da suprema instância?).

- Na vida acadêmica seu voo mais alto foi lecionar na graduação de uma faculdade em Brasília. Professor inexpressivo em tempo parcial, em nada se distinguiu, nada publicou de relevante, nada produziu de positivo e permanente no campo do Direito. Onde o notório saber?

Quanto à ilibada reputação:

- No ano de 2000, o Dr. Toffolifoicondenado por corrupção pela Justiça do Amapá a devolver R$ 19.720,00 aos cofres públicos devido a uma suposta licitação ilegal de prestação de serviços de advocacia ao governo, vencida por seu escritório. A ação foi julgada improcedente em segundo grau, tendo a sentença anulada em 2008.

- Em 2006 ei-lo novamente processado por mais um crime de mesma natureza, ocorrido em 2001, desta feita pela 2ª Vara Cível do Amapá, e condenado a devolver R$ 420.000,00 (R$ 700.000,00 mil reais em valores atualizados até a época de sua admissão ao STF).

Coube à Comissão de Constituição de Justiça e Cidadania do Senado, cujo presidente era o senador Demóstenes Torres (lembram-se dele?) dar parecer sobre o processo de aprovação do Dr. Toffoli ao STF.

Ao passar o processo pela Comissão, resolveu o até então irreprochável senador ‘aceitar’ a argumentação do Sr. Toffoli, de que estava livre do primeiro processo, que havia recorrido da condenação no segundo e que a ação contra ele ainda tramitava. Portanto, desfrutava de reputação angelical.

A CCJ e o Senado, de maioria constituída por membros do Partido dos Trabalhadores e de partidos “da base de sustentação do governo”, a maior parte deles talvez ainda menos ilibados do que o próprio Sr. Toffoli, acabaram por aprovar sua indicação para o STF.

É possível avaliar o grau de isenção do ministro Toffoli no decorrer do julgamento da AP 470, observando seu posicionamento quanto ao Sr. José Dirceu:

- Julgamento por Corrupção de parlamentares:
Sr. josé dirceu INOCENTADO.

- Julgamento por Formação de quadrilha:
Sr. José Dirceu INOCENTADO

- Julgamento da Admissibilidade dos Recursos Infringentes:
ADMITIDA

- Julgamento do Recurso Infringente quanto à Formação de quadrilha.

Sr. José Dirceu INOCENTADO.

Manifestações em plenário:

- Comparou a gradação das penas cominadas pela Corte com as ações de Tomaz de Torquemada, famoso inquisidor espanhol do século XV.

- Exprimiu a opinião que crimes abjetos, dissolutivos da própria República, como aqueles que fazem parte da AP 470, poderiam ser ressarcidos por via monetária.

O ministro Toffoli foi presidente do TSE nas eleições de 2014. Distinguiu-se por proibir uma verificação das urnas eletrônicas por auditores independentes antes da votação, como era de praxe, e por ordenar uma apuração dos votos a portas fechadas. Por acaso, a Sra. Dilma Roussef , do PT, ultrapassou seu adversário nos votos finais.

Assim que assumiu a 2ª Turma o ministro Toffoli apresentou-se pronto para o serviço à presidente, ao ministro da justiça e ao chefe da casa civil da presidência. Consta que conversaram sobre amenidades, tomaram chá com bolachas e, como sói acontecer nessas tertúlias, trocaram receitas de acepipes. Por acaso, desta feita, receitas de pizza.


Quem acredita que ele será imparcial no julgamento da Lava Jato levante o braço.

sexta-feira, 27 de março de 2015


EU NÃO CONSIGO FICAR SOZINHO COM TEUS OLHOS

Eu ouço você dizer que me ama
Mas eu não sei o que é isso
Desejo, posse, sonho, solidão, carência ou ilusão
Ajuda, engano?
Parece uma palavra como outra qualquer
Como essas tantas que ora escrevo aqui
e que você também não entende
Eu sou um homem fechado, pessimista e desiludido
mas alegre e quase feliz
Nem posso dizer que a vida me fez assim
eu já nasci desse jeito
como de soubesse de alguma noticia ruim que a humanidade ignora
Que vive cada minuto do dia
pensando como conciliar meus enganos com teus encantos
minha alma com teu corpo
ou meu corpo com tua alma
Eu vivo somente nesse presente agora
mas o passado sempre vem me perturbar
Você me lembra o futuro
que eu vejo, mas não consigo tocar
sempre fugindo de mim
como algo inexistente
Teus olhos, teu cabelo, tua boca e o teu cheiro...
eu não consigo esquecer
Será que é isso que chamam de amor?
Não, isso é desejo,
desejo de te amar
amor deve ser outra coisa
Eu queria te contar umas coisas minhas que vivi, algumas músicas que ouvi, umas poesias que li,
algumas dúvidas, umas crenças, uns sonhos
Eu queria olhar bem dentro dos teus olhos
e encontrar todas as respostas lá dentro
Mas esse mundo está tão corrido e cheio de gente
há tanto barulho
Eu não consigo ficar sozinho com teus olhos
Tem dias que penso que sou um poeta
e começo a escrever coisas sem nenhum sentido
e as pessoas acabam pensando que é coisa séria
Se fosse sério e real
eu não chamava de "poemas"
chamava de declaração ou carta de amor
Eu prefiro que você não me ame
apenas viva alguns anos comigo
até o tempo da gente descobrir esse mistério que chamam de amor
Ele está nos teus olhos

/pco

Por que a vida nega o que a alma precisa?

Nas horas em que me esqueço
Meu coração se entorna sobre a minha alma
Como um rio depois de um temporal
Mas quando começo a pensar na minha vida
Só percebo um cansaço no fundo
Um cansaço infinito
E finjo tudo diferente pra toda gente
Vida, origem da inspiração dos meus versos
Minha vida sempre foi um romance
Que vivi sozinho ou acompanhado
Não me importa
Romance, que muitas vezes parecia uma comédia
Ou uma pequena e inofensiva tragédia
Que vivi em real ou em pensamentos e desejos
Estou satisfeito comigo mesmo
Vejo, julgo, escolho, rio e escrevo
Não me iludo com a ilusão
Mas esse cansaço agora, depois de tantos anos
Pensar nisso não faz bem as emoções
Tudo que penso desse mundo é outra coisa
Diferente do que penso
Sou exatamente como você não me vê
E que eu tenha a coragem de me enfrentar
Ando agora de um lado para outro, dentro de mim
Às vezes me esqueço e adormeço


/pco


Pára, meu coração!

Estou cansado da inteligência.

Pensar faz mal às emoções.

Se ao menos com ela se percebesse 
qualquer cousa!

Mas só percebo um cansaço no fundo, 

quinta-feira, 26 de março de 2015


Fraude - por que houve esta grande recessão


por , sexta-feira, 5 de outubro de 2012




fraude_recessão.jpgO Instituto Mises Brasil, em parceria com a empresa espanhola Amagifilms — fundada pelos libertários espanhóis Juan José Mercado, Daniel García e Bárbara Sokol — tem o orgulho e a honra de apresentar aquele que, até o momento, é o documentário mais completo sobre a crise financeira mundial. 

Embora vários documentários já houvessem sido produzidos sobre a crise econômica que hoje assola o mundo, nenhum deles de fato se propunha a expor uma teoria econômica que de fato explicasse as minúcias econômicas que provocaram o descalabro.  Para preencher este vazio, empreendedores espanhóis buscaram a ajuda dos professores Jesús Huerta de Soto e Juan Ramón Rallo para elaborar uma explicação completa que, utilizando a teoria econômica que mais uma vez demonstrou ser a única correta (a teoria austríaca dos ciclos econômicos), fizesse uma cronologia histórica da grande recessão vista à luz desta teoria e denunciasse todos os desastres econômicos que a humanidade vem sofrendo há séculos em decorrência de políticas monetárias estatais, as quais foram rotuladas de "fraude legal".  Por último e não menos importante, foi pedido aos professores que apontassem soluções concretas e factíveis para se colocar um fim a este recorrente ciclo de descalabros.

O resultado deste trabalho pode ser conferido abaixo.  

Todos os detalhes sobre as causas da crise e sobre as medidas governamentais tomadas para tentar combater a crise, bem como todas as reais consequências destas medidas, são minuciosamente explicitados neste esplêndido documentário.

A grande recessão não foi causada pelo livre mercado, mas poderia ter sido solucionada por ele se ao menos os governos permitissem.  As intervenções do estado na economia, principalmente por meio de seus bancos centrais e seus mecanismos fraudulentos de criar dinheiro e expandir artificialmente o crédito, tornando-o farto e barato, não apenas foram as causas desta grande recessão, como também estão nas raízes de todos os recorrentes ciclos de expansão econômica seguida de recessão que assolam a humanidade.  Políticas monetárias expansionistas e as contínuas manipulações de juros feitas pelos bancos centrais criam fases de exuberância irracional e bolhas que inevitavelmente terminam em dolorosas recessões econômicas que impõem penosos sofrimentos a todos os cidadãos, principalmente aos mais financeiramente desprotegidos.

Denunciar as fraudes que provocam estas opressivas recessões, bem como fazer advertências sobre os prováveis erros futuros que os governos voltarão a cometer, é a principal intenção deste trabalho.
Aproveitem.

(Para ver em tela expandida, clique em "vimeo" no canto inferior direito da tela abaixo ou acesse diretamente pelo link http://www.fraudedocumental.com/#!_brazil

A importância de saber o que realmente se quer
por , segunda-feira, 16 de março de 2015

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Manifestações-populares.jpgNão, eu não quero golpe.  E não quero a volta dos militares. Também não vejo motivo para que qualquer candidato derrotado nas últimas eleições assuma o poder.
Impeachment?  Depende. Impeachment sem investigação é legalmente um golpe — e golpe é aquilo que eu já disse que não quero, logo na primeira frase desse texto. Se há razões jurídicas para a saída da presidente, aí o jogo muda de figura — e nesse caso, eu confesso que não estou nem aí se quem irá assumir legalmente não esteja tão bem na fita, se isso causará uma instabilidade política momentânea, ou qualquer outra desculpa que você queira dar.
Quando se insiste no discurso de que não deveríamos investigar um presidente porque seu sucessor imediato não é do agrado, ou porque nada irá mudar simplesmente trocando de nomes, ou porque é preciso ter, mais do que isso tudo, "consciência", você está abrindo mão de fortalecer as instituições do país.  Você está permitindo que os piores não sejam penalizados por seus eventuais crimes e criando um incentivo para que políticos permaneçam exercendo seus desmandos, sabendo que nada lá na frente acontecerá a eles.

Eu não chamaria isso exatamente de "consciência", seja lá o que você queira dizer com isso. Quando há razões jurídicas para uma punição, todo o resto não se discute — presidente que comete um crime e permanece no cargo exerce um golpe. E golpe eu já disse duas vezes aqui que não quero.

É bacana ir protestar nas ruas?  Depende.  Protestar contra o quê?  Contra tudo isso que aí está?  Por mais direitos, um termo perigosamente vago? Não, obrigado. Nesse caso, é melhor permanecer esparramado no sofá. Protestar é bacana, é legal, é "exercer a democracia e a liberdade de expressão" e tudo mais — político impopular adora repetir esse discurso —, mas é necessário ter pautas bem definidas, não?
Sabe uma que eu acho bacana? Lutar para que a justiça exerça seu poder de uma forma verdadeiramente independente e que se investigue todo mundo que deva ser investigado.

Só que há um problema nessa história toda: enquanto as instituições brasileiras permanecerem fragilizadas, como são as nossas, talvez isso tudo não passe de um sonho utópico, e continuaremos testemunhando o Legislativo e o Executivo exercendo uma injusta pressão sobre o Judiciário para se livrarem de possíveis incômodos.  Continuaremos vendo ministro do Supremo Tribunal Federal fazendo conluio em salas fechadasum presidente da República; e permaneceremos de mãos atadas ao fato inquestionável de que os políticos ocupam uma casta superior da sociedade, intocáveis, acima do bem e do mal.

Por tudo isso, apenas lutar para que "se investigue" não acrescenta muita coisa. É necessário algo a mais.

Apesar de toda a narrativa oficial, eu não colocaria na conta da corrupção a queda livre na popularidade de Dilma e de seu partido. Sim, você provavelmente não aguenta mais ligar a televisão e encarar aquelas notícias, que mais parecem estar em looping todos os dias, sobre desmandos, esquemas, desvios, e todos os tipos de crimes causados pela classe política.

A corrupção certamente tem um papel nesse bolo todo, mas eu pegaria o velho slogan do então candidato americano Bill Clinton, que virou gabarito e jargão no universo político-econômico, para justificar toda essa comoção em torno do "Fora Dilma":

"It's the economy, stupid!" ("É a economia, idiota!")

É a boa e velha economia: o aumento nas contas de luz e dos impostos, o aumento da inflação de preços, o baixo crescimento, o dólar alto, a dilapidação das contas públicas, o baixo emprego, tudo isso somado aos desmandos na Petrobras, fazem com que apenas 7% da população aprove a atual presidente.

A camada mais pobre da população, a mais afetada por todos esses problemas, simplesmente cansou, desistiu, abriu mão. E sabe por que isso tudo aconteceu? Porque a política econômica defendida pelo Partido dos Trabalhadores se esgotou, provou-se insustentável.

Mas e então, será que existe alguma pauta "simples", objetiva, que permita combater a atual política econômica fracassada ao mesmo tempo em que se luta contra a corrupção?  A resposta é positiva.  Aliás, se você não está satisfeito com a atual situação do país, eis aí um bom motivo para sair do sofá e tomar conta das ruas.

Não pense que a solução é mágica — em economia, mágicas não funcionam, e nem no combate à corrupção.  Economicamente, mais do que lutar contra tudo isso que aí está, de modo a promover o crescimento e aumentar a produtividade do brasileiro, é necessário encampar bandeiras corajosas como a da diminuição daburocracia e da carga tributária, o fim dos subsídios estatais aos empresários amigos do governo (ou você quer continuar pagando pela ascensão e queda de novos Eikes?) e a retirada do estado de setores que ele regula como claro intuito de proteger empresas e prejudicar o consumidor.

É necessário mudar o atual modelo, no qual o governo exerce um forte e irracional controle econômico, empurrando o país para a 118ª posição no ranking de liberdade econômica e para a 120ª posição no ranking de facilidade para fazer negócios —e permitir algo ainda inédito por aqui: uma maior liberdade econômica.

Onde entra a corrupção nesse bolo todo?  Fácil.  Mais do que melhorar a economia, lutar por liberdade econômica é também lutar contra a corrupção — afinal, quanto menor for o controle do governo sobre a economia, menos os políticos terão para surrupiar
Como demonstrado empiricamente neste artigo, poucas ações são mais contundentes como antídoto à corrupção do que apostar na abertura de mercado. Quanto mais livre economicamente for um país, menos corrupto ele será.

Assim, você mata dois coelhos de uma vez só. A liberdade econômica é a única bandeira capaz de fazer com que o Brasil volte a crescer, solidificando a economia e as nossas instituições, e diminuindo o poder exercido pelos políticos ao mesmo tempo em que se combate a corrupção.  Há uma vasta literatura que comprova que esse foi o caminho seguido pelos países mais desenvolvidos do mundo.

E não se engane: essa pauta (aquilo que o PT chama burramente de neoliberalismo) é a maior inimiga do PT. Poucas coisas traduzem melhor o partido de Dilma do que a oposição ao livre mercado.  Por isso, se há realmente uma forte razão para você sair do sofá, é essa.

Quando for tomar as ruas movido por uma insatisfação com o atual governo e estiver pensando em um país melhor, seja objetivo. Lute pela diminuição dos impostos, pela desburocratização na hora de montar um negócio (se você é um comerciante, sabe melhor do que ninguém como é complicado sustentar todo esse peso estatal), pela diminuição do papel do governo na economia. 

Lutar simbolicamente por menos corrupção pode parecer bacana, mas é a mesma coisa que pedir educadamente para o ladrão parar de roubá-lo, clamando por mais decência (dica: não irá adiantar muito).

Quando você entrega quase 40% da sua renda — a qual você ganha trabalhando dignamente — para políticos que estão mais interessados em dificultar a maneira honesta como você ganha dinheiro, é claro que sobrará poucopara você no fim das contas.
Por tudo isso, não caia no papo furado de gente que rotula insatisfação de "golpismo". Se há um bom motivo para protestar, que um bom protesto se inicie. E se há alguma bandeira para defender contra o atual governo, ela atende pelo nome e sobrenome de liberdade econômica

Nas ruas, essa é a única luta que o PT verdadeiramente abomina e a única que realmente vale a pena.


Que homem ousará dizer que essa mulher é só alma?
Por mais espiritual que eu seja
Perto de você sou tão espiritual quanto uma galinha
Sinto no meu corpo tua alma expandir-se
E fundir-se
Desbrochando num orgasmo infinito

/pco









quarta-feira, 25 de março de 2015


TUDO ACABA. VOCÊ NOTOU?

TUDO ACABA. VOCÊ NOTOU?
TENHO ASSISTIDO TUDO ACABAR
A PAIXÃO, O AMOR, A AMIZADE,  A FÉ, A ESPERANÇA, O TEMPO E A FLOR
A NATUREZA, O PAÍS,  O MUNDO,  A ÁGUA, A DOR
NÃO ME PREOCUPO PORQUE HÁ MUITOS ANOS QUE NÃO ACREDITO NISSO
MAS FINJO QUE TUDO É REAL
NÃO POSSO TIRAR ISSO DAS PESSOAS
NEM DE MIM MESMO
HÁ TANTAS CARÊNCIAS E CRENÇAS
TANTOS DESEJOS
TANTA SAUDADE DOS TEUS BEIJOS
MAS TUDO ACABA
ÀS VEZES FICO PENSANDO QUANDO EU NÃO TIVER MAIS A COMPANHIA DA POESIA
E DOS MEUS POEMAS
QUANDO CHEGAR O TEMPO DISSO TAMBÉM ACABAR

É MEU VINHO QUE ACABA
MEU DINHEIRO QUE ACABA ANTES DO MÊS ACABAR
É O AMOR QUE ACABA ANTES DE COMEÇAR
É O MEDO DO MUNDO ACABAR
TUDO ACABA
QUANDO ALGUMA COISA COMEÇA,  
JÁ TRAZ CONSIGO O SEU FIM
EU TENHO ME ACABADO TODOS OS DIAS
DESDE O PRIMEIRO DIA QUE NASCI
A TUA DOR, O TEU SOFRIMENTO E A TUA SOLIDÃO
TAMBÉM ESTÃO NO FIM
FICO PENSANDO
O QUE VAI ACONTECER
COM TUDO QUE VOCÊ JUNTOU E GUARDOU
QUANDO VOCÊ ACABAR

SE TUDO ACABA?
POR QUE COMEÇOU?
SE ERA PARA ACABAR
DEIXAVA ONDE ESTAVA
"SE LEMBRA QUANDO UM DIA A GENTE ACREDITAVA QUE TUDO ERA PARA SEMPRE? 
MAS O SEMPRE SEMPRE ACABA"    

ACABEI DE ACABAR
ACABEI COM TUDO
E VI QUE TUDO ERA ILUSÃO

/pco

terça-feira, 24 de março de 2015



NEM SEMPRE


Que ninguém me peça amor

não me peçam nada

deixai-me com o meu dia que nem sempre é dia

com a minha noite que nem sempre é noite

com minha dor que nem sempre é dor

deixai a minha alma em paz

porque não é corpo



/pco

Eu tenho mil razões para não ser socialista comunista petista. Mas, essa é suficiente. Essa moça JAMAIS seria uma socialista comunista petista.

QUER SER SOCIALISTA?

Um professor de economia na universidade Texas Tech disse que ele nunca reprovou um só aluno antes mas tinha, uma vez, reprovado uma classe inteira. Esta classe em particular tinha insistido que o socialismo realmente funcionava: ninguém seria pobre e ninguém seria rico, tudo seria igualitário e “justo”.

O professor então disse, “Ok, vamos fazer um experimento socialista nesta classe. Ao invés de dinheiro, usaremos suas notas em testes.”

Todas as notas seriam concedidas com base na média da classe, e portanto seriam “justas.” Isso quis dizer que todos receberiam as mesmas notas, o que significou que ninguém repetiria. Isso também quis dizer, claro, que ninguém receberia um A.

Depois que a média das primeiras provas foram tiradas, todos receberam Bs. Quem estudou com dedicação ficou indignado, mas os alunos que não se esforçaram ficaram muito felizes com o resultado.

Quando o segundo teste foi aplicado, os preguiçosos estudaram ainda menos – eles esperavam tirar notas boas de qualquer forma. Aqueles que tinham estudado bastante no início resolveram que eles também se aproveitariam do trem da alegria das notas. Portanto, agindo contra suas tendências, eles copiaram os hábitos dos preguiçosos. Como um resultado, a segunda média dos testes foi D.

Ninguém gostou. Depois do terceiro teste, a média geral foi um F.

As notas não voltaram a patamares mais altos, mas as desavenças entre os alunos, buscas por culpados e palavrões passaram a fazer parte da atmosfera das aulas daquela classe. A busca por “justiça” dos alunos tinha sido a principal causa das reclamações, inimizades e senso de injustiça que passaram a fazer parte daquela turma. No final das contas, ninguém queria mais estudar para beneficiar o resto da sala. Portanto, todos os alunos repetiram… Para sua total surpresa.

O professor explicou que o experimento socialista tinha falhado porque ele foi baseado no menor esforço possível da parte de seus participantes. Preguiça e mágoas foram seu resultado. Sempre haveria fracasso na situação a partir da qual o experimento tinha começado.

“Quando a recompensa é grande”, ele disse, “o esforço pelo sucesso é grande, pelo menos para alguns de nós. Mas quando o governo elimina todas as recompensas ao tirar coisas dos outros, sem seu consentimento, para dar a outros que não batalharam por elas, então o fracasso é inevitável.”

“É impossível levar o pobre à prosperidade através de legislações que punem os ricos pela prosperidade. Por cada pessoa que recebe sem trabalhar, outra pessoa deve trabalhar sem receber. O governo não pode dar para alguém aquilo que não tira de outro alguém.

Quando metade da população entende a ideia de que não precisa trabalhar, pois a outra metade da população irá sustentá-la, e quando esta outra metade entende que não vale mais a pena trabalhar para sustentar a primeira metade, então chegamos ao começo do fim de uma nação. É impossível multiplicar riqueza dividindo-a.”

Adrian Rogers foi pastor da Igreja Batista nos Estados Unidos e também escritor. Nasceu em 1931 e faleceu em 2005. Adrian Rogers de fato escreveu este pensamento, mas em 1984. Ele aparece em um sermão intitulado “Caminho de Deus para Saúde, Prosperidade e Sabedoria”. Em 1996 aparece como uma passagem no sermão “Dez segredos para uma família bem sucedida”.

Muitas pessoas acham que para ser um poema tem que ter rima. Vide esse poema de um dos maiores poetas brasileiros, Manuel Bandeira:

Poema tirado de uma notícia de jornal
João Gostoso era carregador de feira-livre e morava no morro da Babilônia num barracão sem número
Uma noite ele chegou no bar Vinte de Novembro
Bebeu
Cantou
Dançou
Depois se atirou na Lagoa Rodrigo de Freitas e morreu afogado.
Manuel Bandeira

segunda-feira, 23 de março de 2015


 

Os 98 erros mais comuns da língua portuguesa


Erros gramaticais e ortográficos devem, por princípio, ser evitados. Alguns, no entanto, como ocorrem com maior frequência, merecem atenção redobrada. Veja os noventa e oito (antes eram cem) mais comuns do idioma e use esta relação como um roteiro para fugir deles.
1. “Mal cheiro”, “mau-humorado”. Mal opõe-se a bem e mau, a bom. Assim: mau cheiro (bom cheiro), mal-humorado (bem-humorado). Igualmente: mau humor, mal-intencionado, mau jeito, mal-estar.
2. “Fazem” cinco anos. Fazer, quando exprime tempo, é impessoal: Faz cinco anos. / Fazia dois séculos. / Fez 15 dias.
3. “Houveram” muitos acidentes. Haver, como existir, também é invariável: Houve muitos acidentes. / Havia muitas pessoas. / Deve haver muitos casos iguais.
4. “Existe” muitas esperanças. Existir, bastar, faltar, restar e sobrar admitem normalmente o plural: Existem muitas esperanças. / Bastariam dois dias. / Faltavam poucas peças. / Restaram alguns objetos. / Sobravam idéias.
5. Para “mim” fazer. Mim não faz, porque não pode ser sujeito. Assim: Para eu fazer, para eu dizer, para eu trazer.
6. Entre “eu” e você. Depois de preposição, usa-se mim ou ti: Entre mim e você. / Entre eles e ti.
7. “Há” dez anos “atrás”. Há e atrás indicam passado na frase. Use apenas há dez anos ou dez anos atrás.
8. “Entrar dentro”. O certo: entrar em. Veja outras redundâncias: Sair fora ou para fora, elo de ligação, monopólio exclusivo, já não há mais, ganhar grátis, viúva do falecido.
9. “Venda à prazo”. Não existe crase antes de palavra masculina, a menos que esteja subentendida a palavra moda: Salto à (moda de) Luís XV. Nos demais casos: A salvo, a bordo, a pé, a esmo, a cavalo, a caráter.
10. “Porque” você foi? Sempre que estiver clara ou implícita a palavra razão, use por que separado: Por que (razão) você foi? / Não sei por que (razão) ele faltou. / Explique por que razão você se atrasou. Porque é usado nas respostas: Ele se atrasou porque o trânsito estava congestionado.
11. Vai assistir “o” jogo hoje. Assistir como presenciar exige a: Vai assistir ao jogo, à missa, à sessão. Outros verbos com a: A medida não agradou (desagradou) à população. / Eles obedeceram (desobedeceram) aos avisos. / Aspirava ao cargo de diretor. / Pagou ao amigo. / Respondeu à carta. / Sucedeu ao pai. / Visava aos estudantes.
12. Preferia ir “do que” ficar. Prefere-se sempre uma coisa a outra: Preferia ir a ficar. É preferível segue a mesma norma: É preferível lutar a morrer sem glória.
13. O resultado do jogo, não o abateu. Não se separa com vírgula o sujeito do predicado. Assim: O resultado do jogo não o abateu. Outro erro: O prefeito prometeu, novas denúncias. Não existe o sinal entre o predicado e o complemento: O prefeito prometeu novas denúncias.
14. Não há regra sem “excessão”. O certo é exceção. Veja outras grafias erradas e, entre parênteses, a forma correta: “paralizar” (paralisar), “beneficiente” (beneficente), “xuxu” (chuchu), “previlégio” (privilégio), “vultuoso” (vultoso), “cincoenta” (cinqüenta), “zuar” (zoar), “frustado” (frustrado), “calcáreo” (calcário), “advinhar” (adivinhar), “benvindo” (bem-vindo), “ascenção” (ascensão), “pixar” (pichar), “impecilho” (empecilho), “envólucro” (invólucro).
15. Quebrou “o” óculos. Concordância no plural: os óculos, meus óculos. Da mesma forma: Meus parabéns, meus pêsames, seus ciúmes, nossas férias, felizes núpcias.
16. Comprei “ele” para você. Eu, tu, ele, nós, vós e eles não podem ser objeto direto. Assim: Comprei-o para você. Também: Deixe-os sair, mandou-nos entrar, viu-a, mandou-me.
17. Nunca “lhe” vi. Lhe substitui a ele, a eles, a você e a vocês e por isso não pode ser usado com objeto direto: Nunca o vi. / Não o convidei. / A mulher o deixou. / Ela o ama.
18. “Aluga-se” casas. O verbo concorda com o sujeito: Alugam-se casas. / Fazem-se consertos. / É assim que se evitam acidentes. / Compram-se terrenos. / Procuram-se empregados.
19. “Tratam-se” de. O verbo seguido de preposição não varia nesses casos: Trata-se dos melhores profissionais. / Precisa-se de empregados. / Apela-se para todos. / Conta-se com os amigos.
20. Chegou “em” São Paulo. Verbos de movimento exigem a, e não em: Chegou a São Paulo. / Vai amanhã ao cinema. / Levou os filhos ao circo.

21. Atraso implicará “em” punição. Implicar é direto no sentido de acarretar, pressupor: Atraso implicará punição. / Promoção implica responsabilidade.
22. Vive “às custas” do pai. O certo: Vive à custa do pai. Use também em via de, e não “em vias de”: Espécie em via de extinção. / Trabalho em via de conclusão.
23. Todos somos “cidadões”. O plural de cidadão é cidadãos. Veja outros: caracteres (de caráter), juniores, seniores, escrivães, tabeliães, gângsteres.
24. O ingresso é “gratuíto”. A pronúncia correta é gratúito, assim como circúito, intúito e fortúito (o acento não existe e só indica a letra tônica). Da mesma forma: flúido, condôr, recórde, aváro, ibéro, pólipo.
25. A última “seção” de cinema. Seção significa divisão, repartição, e sessão equivale a tempo de uma reunião, função: Seção Eleitoral, Seção de Esportes, seção de brinquedos; sessão de cinema, sessão de pancadas, sessão do Congresso.
26. Vendeu “uma” grama de ouro. Grama, peso, é palavra masculina: um grama de ouro, vitamina C de dois gramas. Femininas, por exemplo, são a agravante, a atenuante, a alface, a cal, etc.
27. “Porisso”. Duas palavras, por isso, como de repente e a partir de.
28. Não viu “qualquer” risco. É nenhum, e não “qualquer”, que se emprega depois de negativas: Não viu nenhum risco. / Ninguém lhe fez nenhum reparo. / Nunca promoveu nenhuma confusão.
29. A feira “inicia” amanhã. Alguma coisa se inicia, se inaugura: A feira inicia-se (inaugura-se) amanhã.
30. Soube que os homens “feriram-se”. O que atrai o pronome: Soube que os homens se feriram. / A festa que se realizou… O mesmo ocorre com as negativas, as conjunções subordinativas e os advérbios: Não lhe diga nada. / Nenhum dos presentes se pronunciou. / Quando se falava no assunto… / Como as pessoas lhe haviam dito… / Aqui se faz, aqui se paga. / Depois o procuro.
31. O peixe tem muito “espinho”. Peixe tem espinha. Veja outras confusões desse tipo: O “fuzil” (fusível) queimou. / Casa “germinada” (geminada), “ciclo” (círculo) vicioso, “cabeçário” (cabeçalho).
32. Não sabiam “aonde” ele estava. O certo: Não sabiam onde ele estava. Aonde se usa com verbos de movimento, apenas: Não sei aonde ele quer chegar. / Aonde vamos?
33. “Obrigado”, disse a moça. Obrigado concorda com a pessoa: “Obrigada”, disse a moça. / Obrigado pela atenção. / Muito obrigados por tudo.
34. O governo “interviu”. Intervir conjuga-se como vir. Assim: O governo interveio. Da mesma forma: intervinha, intervim, interviemos, intervieram. Outros verbos derivados: entretinha, mantivesse, reteve, pressupusesse, predisse, conviesse, perfizera, entrevimos, condisser, etc.
35. Ela era “meia” louca. Meio, advérbio, não varia: meio louca, meio esperta, meio amiga.
36. “Fica” você comigo. Fica é imperativo do pronome tu. Para a 3.ª pessoa, o certo é fique: Fique você comigo. / Venha pra Caixa você também. / Chegue aqui.
37. A questão não tem nada “haver” com você. A questão, na verdade, não tem nada a ver ou nada que ver. Da mesma forma: Tem tudo a ver com você.
38. A corrida custa 5 “real”. A moeda tem plural, e regular: A corrida custa 5 reais.
39. Vou “emprestar” dele. Emprestar é ceder, e não tomar por empréstimo: Vou pegar o livro emprestado. Ou: Vou emprestar o livro (ceder) ao meu irmão. Repare nesta concordância: Pediu emprestadas duas malas.
40. Foi “taxado” de ladrão. Tachar é que significa acusar de: Foi tachado de ladrão. / Foi tachado de leviano.
41. Ele foi um dos que “chegou” antes. Um dos que faz a concordância no plural: Ele foi um dos que chegaram antes (dos que chegaram antes, ele foi um). / Era um dos que sempre vibravam com a vitória.
42. “Cerca de 18″ pessoas o saudaram. Cerca de indica arredondamento e não pode aparecer com números exatos: Cerca de 20 pessoas o saudaram.
43. Ministro nega que “é” negligente. Negar que introduz subjuntivo, assim como embora e talvez: Ministro nega que seja negligente. / O jogador negou que tivesse cometido a falta. / Ele talvez o convide para a festa. / Embora tente negar, vai deixar a empresa.
44. Tinha “chego” atrasado. “Chego” não existe. O certo: Tinha chegado atrasado.
45. Tons “pastéis” predominam. Nome de cor, quando expresso por substantivo, não varia: Tons pastel, blusas rosa, gravatas cinza, camisas creme. No caso de adjetivo, o plural é o normal: Ternos azuis, canetas pretas, fitas amarelas.
46. Lute pelo “meio-ambiente”. Meio ambiente não tem hífen, nem hora extra, ponto de vista, mala direta, pronta entrega, etc. O sinal aparece, porém, em mão-de-obra, matéria-prima, infra-estrutura, primeira-dama, vale-refeição, meio-de-campo, etc.
47. Queria namorar “com” o colega. O com não existe: Queria namorar o colega.
48. O processo deu entrada “junto ao” STF. Processo dá entrada no STF. Igualmente: O jogador foi contratado do (e não “junto ao”) Guarani. / Cresceu muito o prestígio do jornal entre os (e não “junto aos”) leitores. / Era grande a sua dívida com o (e não “junto ao”) banco. / A reclamação foi apresentada ao (e não “junto ao”) Procon.
49. As pessoas “esperavam-o”. Quando o verbo termina em m, ão ou õe, os pronomes o, a, os e as tomam a forma no, na, nos e nas: As pessoas esperavam-no. / Dão-nos, convidam-na, põe-nos, impõem-nos.
50. Vocês “fariam-lhe” um favor? Não se usa pronome átono (me, te, se, lhe, nos, vos, lhes) depois de futuro do presente, futuro do pretérito (antigo condicional) ou particípio. Assim: Vocês lhe fariam (ou far-lhe-iam) um favor? / Ele se imporá pelos conhecimentos (e nunca “imporá-se”). / Os amigos nos darão (e não “darão-nos”) um presente. / Tendo-me formado (e nunca tendo “formado-me”).
51. Chegou “a” duas horas e partirá daqui “há” cinco minutos. Há indica passado e equivale a faz, enquanto a exprime distância ou tempo futuro (não pode ser substituído por faz): Chegou há (faz) duas horas e partirá daqui a (tempo futuro) cinco minutos. / O atirador estava a (distância) pouco menos de 12 metros. / Ele partiu há (faz) pouco menos de dez dias.
52. Blusa “em” seda. Usa-se de, e não em, para definir o material de que alguma coisa é feita: Blusa de seda, casa de alvenaria, medalha de prata, estátua de madeira.
53. A artista “deu à luz a” gêmeos. A expressão é dar à luz, apenas: A artista deu à luz quíntuplos. Também é errado dizer: Deu “a luz a” gêmeos.
54. Estávamos “em” quatro à mesa. O em não existe: Estávamos quatro à mesa. / Éramos seis. / Ficamos cinco na sala.
55. Sentou “na” mesa para comer. Sentar-se (ou sentar) em é sentar-se em cima de. Veja o certo: Sentou-se à mesa para comer. / Sentou ao piano, à máquina, ao computador.
56. Ficou contente “por causa que” ninguém se feriu. Embora popular, a locução não existe. Use porque: Ficou contente porque ninguém se feriu.
57. O time empatou “em” 2 a 2. A preposição é por: O time empatou por 2 a 2. Repare que ele ganha por e perde por. Da mesma forma: empate por.
58. À medida “em” que a epidemia se espalhava… O certo é: À medida que a epidemia se espalhava… Existe ainda na medida em que (tendo em vista que): É preciso cumprir as leis, na medida em que elas existem.
59. Não queria que “receiassem” a sua companhia. O i não existe: Não queria que receassem a sua companhia. Da mesma forma: passeemos, enfearam, ceaste, receeis (só existe i quando o acento cai no e que precede a terminação ear: receiem, passeias, enfeiam).
60. Eles “tem” razão. No plural, têm é assim, com acento. Tem é a forma do singular. O mesmo ocorre com vem e vêm e põe e põem: Ele tem, eles têm; ele vem, eles vêm; ele põe, eles põem.
61. A moça estava ali “há” muito tempo. Haver concorda com estava. Portanto: A moça estava ali havia (fazia) muito tempo. / Ele doara sangue ao filho havia (fazia) poucos meses. / Estava sem dormir havia (fazia) três meses. (O havia se impõe quando o verbo está no imperfeito e no mais-que-perfeito do indicativo.)
62. Não “se o” diz. É errado juntar o se com os pronomes o, a, os e as. Assim, nunca use: Fazendo-se-os, não se o diz (não se diz isso), vê-se-a, etc.
63. Acordos “políticos-partidários”. Nos adjetivos compostos, só o último elemento varia: acordos político-partidários. Outros exemplos: Bandeiras verde-amarelas, medidas econômico-financeiras, partidos social-democratas.
64. Fique “tranquilo”. O u pronunciável depois de q e g e antes de e e i exige trema: Tranqüilo, conseqüência, lingüiça, agüentar, Birigüi.
65. Andou por “todo” país. Todo o (ou a) é que significa inteiro: Andou por todo o país (pelo país inteiro). / Toda a tripulação (a tripulação inteira) foi demitida. Sem o, todo quer dizer cada, qualquer: Todo homem (cada homem) é mortal. / Toda nação (qualquer nação) tem inimigos.
66. “Todos” amigos o elogiavam. No plural, todos exige os: Todos os amigos o elogiavam. / Era difícil apontar todas as contradições do texto.
67. Favoreceu “ao” time da casa. Favorecer, nesse sentido, rejeita a: Favoreceu o time da casa. / A decisão favoreceu os jogadores.
68. Ela “mesmo” arrumou a sala. Mesmo, quanto equivale a próprio, é variável: Ela mesma (própria) arrumou a sala. / As vítimas mesmas recorreram à polícia.
69. Chamei-o e “o mesmo” não atendeu. Não se pode empregar o mesmo no lugar de pronome ou substantivo: Chamei-o e ele não atendeu. / Os funcionários públicos reuniram-se hoje: amanhã o país conhecerá a decisão dos servidores (e não “dos mesmos”).
70. Vou sair “essa” noite. É este que desiga o tempo no qual se está ou objeto próximo: Esta noite, esta semana (a semana em que se está), este dia, este jornal (o jornal que estou lendo), este século (o século 20).
71. A temperatura chegou a 0 “graus”. Zero indica singular sempre: Zero grau, zero-quilômetro, zero hora.
72. A promoção veio “de encontro aos” seus desejos. Ao encontro de é que expressa uma situação favorável: A promoção veio ao encontro dos seus desejos. De encontro a significa condição contrária: A queda do nível dos salários foi de encontro às (foi contra) expectativas da categoria.
73. Comeu frango “ao invés de” peixe. Em vez de indica substituição: Comeu frango em vez de peixe. Ao invés de significa apenas ao contrário: Ao invés de entrar, saiu.
74. Se eu “ver” você por aí… O certo é: Se eu vir, revir, previr. Da mesma forma: Se eu vier (de vir), convier; se eu tiver (de ter), mantiver; se ele puser (de pôr), impuser; se ele fizer (de fazer), desfizer; se nós dissermos (de dizer), predissermos.
75. Ele “intermedia” a negociação. Mediar e intermediar conjugam-se como odiar: Ele intermedeia (ou medeia) a negociação. Remediar, ansiar e incendiar também seguem essa norma: Remedeiam, que eles anseiem, incendeio.
76. Ninguém se “adequa”. Não existem as formas “adequa”, “adeqüe”, etc., mas apenas aquelas em que o acento cai no a ou o: adequaram, adequou, adequasse, etc.
77. Evite que a bomba “expluda”. Explodir só tem as pessoas em que depois do d vêm e e i: Explode, explodiram, etc. Portanto, não escreva nem fale “exploda” ou “expluda”, substituindo essas formas por rebente, por exemplo. Precaver-se também não se conjuga em todas as pessoas. Assim, não existem as formas “precavejo”, “precavês”, “precavém”, “precavenho”, “precavenha”, “precaveja”, etc.
78. Governo “reavê” confiança. Equivalente: Governo recupera confiança. Reaver segue haver, mas apenas nos casos em que este tem a letra v: Reavemos, reouve, reaverá, reouvesse. Por isso, não existem “reavejo”, “reavê”, etc.
79. Disse o que “quiz”. Não existe z, mas apenas s, nas pessoas de querer e pôr: Quis, quisesse, quiseram, quiséssemos; pôs, pus, pusesse, puseram, puséssemos.
80. O homem “possue” muitos bens. O certo: O homem possui muitos bens. Verbos em uir só têm a terminação ui: Inclui, atribui, polui. Verbos em uar é que admitem ue: Continue, recue, atue, atenue.
81. A tese “onde”… Onde só pode ser usado para lugar: A casa onde ele mora. / Veja o jardim onde as crianças brincam. Nos demais casos, use em que: A tese em que ele defende essa idéia. / O livro em que… / A faixa em que ele canta… / Na entrevista em que…
82. Já “foi comunicado” da decisão. Uma decisão é comunicada, mas ninguém “é comunicado” de alguma coisa. Assim: Já foi informado (cientificado, avisado) da decisão. Outra forma errada: A diretoria “comunicou” os empregados da decisão. Opções corretas: A diretoria comunicou a decisão aos empregados. / A decisão foi comunicada aos empregados.
83. Venha “por” a roupa. Pôr, verbo, tem acento diferencial: Venha pôr a roupa. O mesmo ocorre com pôde (passado): Não pôde vir. Veja outros: fôrma, pêlo e pêlos (cabelo, cabelos), pára (verbo parar), péla (bola ou verbo pelar), pélo (verbo pelar), pólo e pólos. Perderam o sinal, no entanto: Ele, toda, ovo, selo, almoço, etc.
84. “Inflingiu” o regulamento. Infringir é que significa transgredir: Infringiu o regulamento. Infligir (e não “inflingir”) significa impor: Infligiu séria punição ao réu.
85. A modelo “pousou” o dia todo. Modelo posa (de pose). Quem pousa é ave, avião, viajante, etc. Não confunda também iminente (prestes a acontecer) com eminente (ilustre). Nem tráfico (contrabando) com tráfego (trânsito).
86. Espero que “viagem” hoje. Viagem, com g, é o substantivo: Minha viagem. A forma verbal é viajem (de viajar): Espero que viajem hoje. Evite também “comprimentar” alguém: de cumprimento (saudação), só pode resultar cumprimentar. Comprimento é extensão. Igualmente: Comprido (extenso) e cumprido (concretizado).
87. O pai “sequer” foi avisado. Sequer deve ser usado com negativa: O pai nem sequer foi avisado. / Não disse sequer o que pretendia. / Partiu sem sequer nos avisar.
88. Comprou uma TV “a cores”. Veja o correto: Comprou uma TV em cores (não se diz TV “a” preto e branco). Da mesma forma: Transmissão em cores, desenho em cores.
89. “Causou-me” estranheza as palavras. Use o certo: Causaram-me estranheza as palavras. Cuidado, pois é comum o erro de concordância quando o verbo está antes do sujeito. Veja outro exemplo: Foram iniciadas esta noite as obras (e não “foi iniciado” esta noite as obras).
90. A realidade das pessoas “podem” mudar. Cuidado: palavra próxima ao verbo não deve influir na concordância. Por isso : A realidade das pessoas pode mudar. / A troca de agressões entre os funcionários foi punida (e não “foram punidas”).
91. O fato passou “desapercebido”. Na verdade, o fato passou despercebido, não foi notado. Desapercebido significa desprevenido.
92. “Haja visto” seu empenho… A expressão é haja vista e não varia: Haja vista seu empenho. / Haja vista seus esforços. / Haja vista suas críticas.
93. A moça “que ele gosta”. Como se gosta de, o certo é: A moça de que ele gosta. Igualmente: O dinheiro de que dispõe, o filme a que assistiu (e não que assistiu), a prova de que participou, o amigo a que se referiu, etc.
94. É hora “dele” chegar. Não se deve fazer a contração da preposição com artigo ou pronome, nos casos seguidos de infinitivo: É hora de ele chegar. / Apesar de o amigo tê-lo convidado… / Depois de esses fatos terem ocorrido…
95. Vou “consigo”. Consigo só tem valor reflexivo (pensou consigo mesmo) e não pode substituir com você, com o senhor. Portanto: Vou com você, vou com o senhor. Igualmente: Isto é para o senhor (e não “para si”).
96. Já “é” 8 horas. Horas e as demais palavras que definem tempo variam: Já são 8 horas. / Já é (e não “são”) 1 hora, já é meio-dia, já é meia-noite.
97. A festa começa às 8 “hrs.”. As abreviaturas do sistema métrico decimal não têm plural nem ponto. Assim: 8 h, 2 km (e não “kms.”), 5 m, 10 kg.
98. “Dado” os índices das pesquisas… A concordância é normal: Dados os índices das pesquisas… / Dado o resultado… / Dadas as suas ideias…
99. Ficou “sobre” a mira do assaltante. Sob é que significa debaixo de: Ficou sob a mira do assaltante. / Escondeu-se sob a cama. Sobre equivale a em cima de ou a respeito de: Estava sobre o telhado. / Falou sobre a inflação. E lembre-se: O animal ou o piano têm cauda e o doce, calda. Da mesma forma, alguém traz alguma coisa e alguém vai para trás.
100. “Ao meu ver”. Não existe artigo nessas expressões: A meu ver, a seu ver, a nosso ver.
(fonte: Equipe Grau 10)